A hipótese de uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva será mais prejudicial para o Brasil do que a eleição de outro candidato, por causa do grande número de investigações e processos de corrupção que correm, envolvendo o círculo governamental – a Presidência da República, o Congresso Nacional e também o partido ora no poder. Se os escândalos desgastaram a imagem do Governo como um todo e especialmente a figura do Presidente – por ser o mandatário supremo e porque, sobre todos os casos, tem dito que nada sabia – o pior dos males foi que na administração pública federal pouco se fez de proveitoso. Porque as denúncias e seus desdobramentos consumiram muito tempo e causaram muito desgaste. O presidente da República nada implantou de grandioso – e esperava-se uma revolução em seu Governo, porque ele e o PT prometeram – e os Ministérios e demais órgãos governamentais seguiram o mesmo passo. Ademais, houve freqüentes mudanças de ministros, alguns de primeira grandeza quanto à função – como o da Casa Civil e o da Fazenda – e na maioria dos casos com envolvimentos em denúncias de corrupção, com destaques para José Dirceu, Antonio Palocci e Humberto Costa. De sua parte, os congressistas – um grande número deles também envolto em mar de lama – nada de importante criaram em forma de leis, e nem se ocuparam da discussão das grandes reformas que eram aguardadas, porque inadiáveis. Os quatro anos da atual gestão foram perdidos, por conta dos embaraços criados por tantas denúncias e por fatos comprovados – alguns com o requinte do ridículo – e pela conhecida baixa operosidade de governantes e parlamentares. Volte-se ao tempo e aos arquivos dos jornais e se verá Brasília apenas ocupada com CPIs, acusações e contra-acusações e abalos nas instituições. Uma enorme perda de tempo, a um custo elevadíssimo para a nação, porque a ação governamental circunscreveu-se, prioritariamente, à lavagem da própria roupa suja. Se Lula for reeleito, levará essa herança por mais quatro anos, porque os processos têm andamento, significando a continuidade dos transtornos. Se tais processos, de qualquer forma, irão ter seqüência mesmo com outro Presidente, tal não o envolveria e não lhe macularia a credibilidade, tanto perante a população brasileira como a comunidade transnacional. E se tantos escândalos de corrupção aconteceram, num ritmo contínuo e um pior que o outro – o derradeiro foi agora às vésperas da eleição – não se descarta que outros mais possam ocorrer. Porque, diga-se a bem da verdade, Lula cercou-se de alguns homens sérios mas também de uma escória, que se embeveceu com o poder e dele tirou proveito, locupletando-se. Se coisas ruins aconteceram uma, duas e outras tantas vezes e não serviram de advertência, imagina-se que os que estão com Lula devem pensar que com Lula, pode. O comportamento de um corpo governamental sempre reflete o que emana – em irresponsabilidade, tolerância ou conivência – do comandante supremo.

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