EDITORIAL -

Os riscos da polarização para a democracia


Folha de Londrina
Folha de Londrina

Em editoriais anteriores, a FOLHA já tratou da polarização da sociedade brasileira e os riscos que o fenômeno representa para a democracia. Um fato ocorrido recentemente em Londrina, que virou caso de polícia, pede que o jornal volte ao tema.  


A apresentação do espetáculo “Quando Quebra Queima”, realizada na semana passada no Colégio Estadual Hugo Simas, transformou-se em polêmica após circular um vídeo com o depoimento da mãe de uma aluna contrariada com a encenação que foi incluída como atividade curricular para as turmas do período noturno. A peça fazia parte do Filo 2019, o Festival Internacional de Londrina.   




No vídeo a mãe reclamou da obrigatoriedade da participação da filha na apresentação e reclamou do conteúdo, dizendo que a peça teve críticas à Polícia Militar e beijo entre pessoas do mesmo sexo. Nas redes sociais, o vídeo viralizou e motivou um protesto na porta da escola.  


Em reportagem no dia 6 de novembro, a FOLHA trouxe detalhes da polêmica e o pronunciamento do Filo e do colégio. A questão, agora, são os desdobramentos do caso. Nesta quinta-feira (7), a direção da escola e da APP-Sindicato, entidade que representa os professores estaduais, registraram queixa na 10ª Subdivisão Policial de Londrina denunciado ameaças e intimidações contra a diretora da escola. Foram apresentados documentos com situações de ameaças nas redes sociais. Em um post, um homem escreve: “Mata a diretora e os responsáveis pelo evento”.  


Nas redes sociais, a violência no debate sobre política ou disputas ideológicas está disseminada.  Há momentos em que a agressividade deixa o ambiente virtual e chega à “vida real”.  Basta ver os tabefes trocados nesta quinta-feira (7) entre os jornalistas Augusto Nunes e Glenn Greenwald quando participavam de um programa de rádio.  


A intenção desse editorial não é tomar lado sobre a apresentação do espetáculo. Se o espetáculo não era adequado aos alunos da escola é uma investigação que cabe à Secretaria Estadual de Educação ou a um órgão competente. O que não pode é que indivíduos usem as redes sociais para disseminar o ódio e a violência. Ativismo e engajamento político são ótimos quando marcados pela democracia, empatia e respeito.  


Recentemente, a FOLHA publicou reportagem no caderno Folha Mais de 12 de outubro de 2019 debatendo justamente a personalidade dos agressores virtuais, que fora da internet são pessoas boas e pacíficas. Apesar de muitos acreditarem que a internet é “terra de ninguém”, é preciso entender que mais cedo ou mais tarde eles acabarão tendo que assumir a responsabilidade pelo que publicam.   


Obrigado por acompanhar a FOLHA!


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