Mais de 70% dos brasileiros optam pela automedicação. É o que apontou um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico. A pesquisa foi realizada em abril do ano passado e teve a participação de 2.340 pessoas que responderam questionários em 16 capitais do país. Ao todo, 94% das pessoas consultadas em Belém (PA) disseram que recorrem à automedicação. João Pessoa (PB) ocupou a segunda posição com 88%, seguido de Fortaleza (CE) com 85%. Curitiba e Vitória (ES) ficaram em sétimo lugar com 73%. O problema não está apenas na automedicação. Quarenta por cento dos entrevistados admitiram que procuram o diagnóstico pela internet. Os pesquisadores fizeram um alerta e chamaram a atenção para os riscos de procurar tratamento da doença no "Google". Analgésicos, anti-inflamatórios e antialérgicos foram citados como os mais consumidos pelos que ignoram a orientação profissional. Até mesmo antibióticos e outros produtos com venda proibida sem receita médica são adquiridos dessa maneira. A maioria das pessoas que utiliza a internet para obter um diagnóstico tem entre 16 e 14 anos e 54% pertencem à classe B. O problema de procurar indicação de remédio na internet é que nem todo o conteúdo disponível na rede é confiável. E mesmo que o internauta acerte na escolha do produto, ele pode errar na dose, o que pode ser muito perigoso. Existe um componente cultural forte na mania do brasileiro de tomar remédios por conta própria. Mas um fator contribui para este comportamento: o atendimento na rede pública de saúde. Muita gente que respondeu a pesquisa lembra que a superlotação das unidades básicas de saúde e dos hospitais, além da demora para conseguir uma consulta com especialista pelo Sistema Único de Saúde acabam empurrando o "paciente" para buscar a cura na internet.

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