Os riscos da acomodação conjugal
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de abril de 2005
Moacir Costa 
São bem conhecidas as dificuldades de se morar nas grandes cidades, onde o ritmo das pessoas é acelerado em todos os sentidos. O dia-a-dia de intenso trabalho, as horas enervantes no trânsito e a ocupação com as exigências e necessidades dos filhos fazem com que o casal tenha pouco tempo para a convivência. E nessa trajetória o casamento vai se desgastando, adquirindo pouca vibração e quase nenhum envolvimento.
O casal mais consciente das suas dificuldades afetivas começa a se dar conta desse desgaste e a intolerância e a irritabilidade passam a fazer parte do cotidiano. Brigas acontecem por motivos corriqueiros e banais.
Um exemplo conhecido dessa falta de envolvimento é o de casais que já não se beijam há tempos, exceto um ''selinho'' nas chegadas e despedidas para o trabalho. Eles evitam sair sozinhos pelo fato de não ter muito o que conversar. Às vezes nem brigam, são bons amigos e a relação entre eles é bastante fraternal.
Muitos passam meses sem ter relação sexual, e quando um deles reclama, o ato acontece, mas de forma biológica, mecânica, sem emoções e até sem prazer. Se não pararem para prestar atenção no que está acontecendo e continuarem a se mostrar indiferentes mutuamente, com certeza terão maus momentos num futuro próximo.
O número de casais que procuram os consultórios de médicos e psicólogos apresentando dificuldades na área sexual mostra que, apesar das informações disponíveis, conversam pouco e tendem a colocar as frustrações debaixo do tapete. O surgimento de novas técnicas psicológicas e medicamentos para retomada da potência sexual ainda não têm sido utilizados com a frequência necessária.
É fundamental que o casal não se acomode nessa situação e passe a conversar mais para buscar as raízes dessa falta de vibração. A partir daí poderão surgir novas idéias ou propostas para aquecer a relação. As surpresas agradam: mimos, programas inéditos e bilhetes amorosos são sempre bem-vindos. Planejar uma pequena viagem, mesmo num final de semana (sem os filhos), favorece o clima de aproximação e a volta do namoro.
Enfim, tudo que seja capaz de alimentar o desgastado relacionamento é válido, fazendo com que o prazer de estar na companhia do outro reacenda a alegria e torne o sexo mais ''quente''.
Quando todas essas tentativas não dão resultado o melhor é o casal buscar ajuda médica ou psicológica para entender a extensão do desgaste e visualizar o melhor caminho para a reaproximação ou a separação.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
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