Entre as estarrecedoras marcas do Brasil está a de ser o maior cobrador de impostos do mundo, alcançando o olímpico patamar de 38,11% do Produto Interno Bruto, segundo o registro do primeiro semestre deste ano. É um recorde, de fazer inveja à derrama dos tempos coloniais. De janeiro a junho a receita dos três níveis de governo foi de R$ 311,28 bilhões. Vale mostrar o sinistro cálculo de que isto representou R$ 1,71 bilhões por dia, R$ 71,26 milhões por hora, R$ 1,18 milhão por minuto e R$ 19,8 mil por segundo. Houve, portanto, um aumento de R$ 44,23 bilhões com relação ao mesmo período do ano passado. A maior fatia ficou com a União. Só a riqueza produzida pelo segmento formal da construção civil engordou os cofres públicos com 55% do montante, portanto mais da metade. O setor já era o mais tangido por impostos, com 52,2%, mas a bocarra governamental achou pouco e elevou o índice.
Observa-se que os governantes não deram ouvido aos reiterados pedidos da comunidade produtiva empresários e trabalhadores para que não aumentassem os impostos, mas ao contrário, que os diminuíssem. O Congresso Nacional, que deveria ser o olho vigilante e guardião da sociedade, passa ao largo e não se envolve. Onerar as bases produtoras com tamanho onus tributário é prática favorecedora da inflação, mas a comunidade governamental só menciona o risco inflacionário quando ocorre um aumento de consumo, como se este fosse um fator negativo, quando, ao contrário, é um agente do desenvolvimento.
Enquanto isso, a máquina pública, onerosa e pouco operante, não diminuiu seus gastos e não acena com nenhum projeto nesse sentido. Mas já se anuncia que, no segundo semestre já em andamento, não haverá alívio da carga tributária, significando que outro recorde de sangria sobre o contribuinte. Tanto dinheiro, mal servindo para alimentar o gigante bucrocrático, esfomeado e desperdiçador, e a estrutura governamental densa e repleta de desnecessidades. Por conta disso, obras públicas não se realizam, como só para citar um exemplo a melhoria das rodovias, das ferrovias, dos portos, que são os escoadores da produção. Quanto mais dinheiro centralizado nas mãos do Governo, menos haverá no meio circulante para azeitar as engrenagens do desenvolvimento, mas esta dinâmica os 'sábios' encastelados nos gabinetes governamentais desconhecem.

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