Os radicais livres no PT
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2003
Vilson Antônio Romero 
O médico Antonio Palocci, hoje guindado à condição de ministro da Fazenda, diria que ''os radicais livres são parte de uma batalha travada no próprio organismo''. Na linguagem dos iniciados em endocrinologia, ''radical livre é toda molécula que possui um elétron ímpar em sua órbita externa, fora de seu nível orbital, gravitando em sentido oposto aos outros elétrons''.
Pois metaforicamente esta é a briga endógena do Partido dos Trabalhadores. Por mais que no seu programa de governo tenha dito que faria tudo para manter a estabilidade econômica, tentando promover as reformas trabalhista, previdenciária, tributária e outras, nunca suas correntes internas imaginaram que o núcleo de poder iria tão longe.
A esquerda ficou perplexa, a direita atordoada e o eleitorado preocupado com o que há de vir. Apesar de sinalizar ao deus Mercado que não haveria rupturas institucionais, nem quebras de contratos (em especial com os organismos internacionais, credores da Nação!), o questionamento começou dentro de casa.
A arapongagem de uma reunião fechada do partido com o ministro Palocci e, inocente ou maldosamente, revelada a um jornal de circulação nacional, assim como as exteriorizações de opiniões dos descontentes com os rumos do governo, trouxeram novamente à tona a pecha de radicais.
A despeito da tentativa de um cala-boca generalizado, a discórdia começa a ser disseminada no seio do partido. Os radicais livres estão cada vez mais livres.
No caso do PT, têm nome e sobrenome: Heloísa Helena (AL), Luciana Genro (RS), Babá (PA), Ana Júlia (PA), Walter Pinho (BA) e Lindberg Farias (RJ), entre outros nomes menos votados do baixo clero.
Já se fala em forçar uma retirada ''espontânea'' do PT. Mas estes mesmos parlamentares e alguns outros, antes denominados de ''xiitas'', eram apupados por ocasião de manifestações anteriores contra o ''modelo neoliberal'', contra a ''globalização'', na hora do grito do slogan ''Fora FMI, fora FHC''.
Será que eles mudaram tanto ou o Partido dos Trabalhadores mudou demais? Tomara que não comecem a bradar ''Fora Lula, fora Bank of Boston''. Os Zés, Genoíno e Dirceu, vão ter de usar muito antioxidante contra estes radicais.
VILSON ANTÔNIO ROMERO é jornalista, auditor fiscal do INSS e diretor da Associação Gaúcha dos Fiscais de Previdência


