Os próximos dias serão decisivos
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segunda-feira, 11 de maio de 2020
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Foram pouco mais de 70 dias desde a confirmação do primeiro caso da Covid-19 no Brasil, e no último sábado (9) o Brasil alcançou a triste marca de 10 mil vítimas fatais da doença.
O primeiro paciente com Covid-19 teve o diagnóstico divulgado no dia 26 de fevereiro. Tratava-se de um homem de 61 anos que tinha viajado à Itália e deu entrada no dia anterior no Hospital Albert Eistein.
Já a primeira morte foi confirmada no dia 17 de março. A vítima, um homem de 62 anos que estava internado no Hospital Sancta Maggiore, na capital paulista.
Desde então, as mortes se repetem em todo o País com histórias dramáticas, como o cenário em Manaus, um dos mais trágicos. Em abril, a capital do Amazonas contava 422 pessoas mortas devido ao novo coronavírus.
No último sábado, após 730 mortes contabilizadas por coronavírus em apenas 24 horas, o Congresso Nacional decretou luto oficial em homenagem às vítimas. O Brasil é o sexto país em número de mortes causadas pela Covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde, atrás dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha e França.
Nos próximos dias, a País acompanha com atenção as consequências da flexibilização das medidas de isolamento social promovidas em várias cidades, como é o caso de Londrina.
A esperança é que os números não se multipliquem drasticamente para que as atividades econômicas possam continuar sendo gradualmente retomadas. Os resultados dependem muito do comportamento da população. Quanto maior a responsabilidade coletiva, mais cedo passaremos por essa crise.
A população precisa ser sempre lembrada de que o relaxamento do isolamento social não pode ser encarado como uma volta à normalidade. Caso contrário, o cenário pode ser dramático. Uma simulação feita por um grupo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e divulgado pelo jornal O Globo aponta que o número de mortes poderá dobrar nos próximos 20 dias e o de infectados alcançar cerca de 400 mil até o dia 5 de junho, caso não sejam tomadas medidas de contenção da transmissão do vírus.
Os pesquisadores da USP se debruçam sobre os números da pandemia na tentativa de identificar quando o país atingirá o pico de infecções, a partir do qual as curvas de casos e óbitos entrarão em declínio, sinalizando para um possível afrouxamento das regras de isolamento social.
Eles utilizam um modelo de cálculo de análise de sobrevivência, batizado de Weibull, que leva em conta o número de infecções e, nos casos em que há mortes, o período de sobrevida ao vírus.
Temos sempre que lembrar que o debate sobre a Covid-19 não se restringe e não envolve apenas a medicina e a pesquisa científica. A pandemia, essa bola de neve que começou a se formar na China no final de 2019 e chegou no outro lado do mundo como uma avalanche, envolve interesses e políticos e econômicos. É o preço que pagamos por viver em um mundo globalizado.
No Brasil, o comportamento da Covid-19 varia em cada estado. Um país de proporções continentais terá realidades diferentes dependendo da localidade, das condições sanitárias da população, da classe econômica, do nível de escolaridade e da conscientização sobre a responsabilidade de cada um na prevenção.
A FOLHA deseja saúde para todos os seus leitores!


