Os propinodutos
A imagem de vestal do PT, um equívoco que no passado era o monopólio da UDN, foi por água abaixo com as revelações das ocorrências de Santo André. Fica, assim, demonstrado que não apenas Fernando Collor tinha o seu PC. Tanto Lerner como FHC também precisaram desse gestor financeiro. Como todos, aliás.
O esquema PC era extremamente bem articulado e se não houvesse acidentes de percurso como as denúncias de Pedro Collor contra o irmão presidente e atuações como a do motorista Eriberto (que fim levou ele? como é que um herói nacional sai da capa de revistas e jornais e desvanece no anonimato da noite para o dia é uma indagação forte como a das questões metafísicas) muito pouco se descobriria. Também se o Francisco Paladino, que cuidava do caixa das campanhas do grupo lernerista desde 1985, não denunciasse as patologias da contabilidade eleitoral todos ignorariam o caso do caixa 2.
Não sejamos hipócritas: esquemas de levantamento de recursos todos têm (vide a tal fundação criada no Rio Grande do Sul para obter grana para o PT e que tinha entre seus investidores o pessoal do jogo do bicho; vide a fauna empresarial que gravita em torno do Estado e como fornecedores, empreiteiros e prestadores de serviços e que acabam figurando como doadores) e igualmente todo pleito tem caixa 2 pela obviedade de que há um tipo de contribuição feita em dinheiro com o pedido expresso para que não se revele a fonte. Expungido de nossa reflexão qualquer impulso hipócrita saberemos que o que se dá, no momento com o PT, é normalidade.
Só que esses drenos é que agravam a crise brasileira. Ou acreditaremos que do sistema de forças, que se aliou a FHC, o caso de Roseana seria exceção ou se trataria, infelizmente, de uma regra? Da mesma forma não há como aceitar que situações como as vividas aqui no governo Lerner, casos da Banestado Leasing e Corretora, não tenham se dado em função de situações muito parecidas e que se reproduziriam em aproximações como essas que geraram as parcerias da Copel, ora contestadas no Tribunal Regional de Porto Alegre.
LINGUAGEM A empresária Rosângela Gabrilli, dona da Viação São José e Expresso Guarará, que era obrigada a dar mais de 40 mil reais mensais a políticos de Santo André, discorda do termo propina. O caso era de extorsão na base do dá ou desce. E aqui, em Curitiba e no Paraná, como é que se faz essa coisa? Cada vez que há uma eleição, por exemplo, alguém levanta aquela estória do monopólio dos transportes para pressionar os empresários.
CAFÉ & CULTURA Historicamente o café sempre foi tido como uma espécie de bebida intelectual. A referência aos movimentos culturais remonta à existência do Café Belas Artes lá pelos anos 40, tempo em que apareceu a Joaquim, a revista de Dalton Trevisan. Pois agora o Mauro Motta, jornaleiro e consultor de empresas, lançou o seu Café & Cultura na Alameda Carlos de Carvalho. Trata-se de iniciativa diferenciada, um café temático e que já na sua inauguração, anteontem, exibia algumas pinturas.
SCAPS Um candidato presidencial descuidou-se ao falar sobre a questão da violência no Brasil e ao referir-se à facilidade com que os ladrões transpõem as fronteiras cometeu um ato falho dizendo aí os neguinhos ficam à vontade. Está gravado e vai para o horário eleitoral.
CANDIDEZ O Candinho Gomes Chagas vem aí com toda força para desmontar multas eletrônicas. A empresa beneficiária Consilux vai sofrer um chek-up e o Tribunal de Contas não pode ignorar jurisprudência do congênere paulista que proíbe ser beneficiária das multas.





