Os professores pedem socorro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de março de 1997
José Trindade de Oliveira 
Como presidente da Associação do Pessoal da Universidade Estadual de Londrina (APUEL), estou assustado, preocupado e triste com a situação de nossos associados - professores e funcionários da UEL. Em quase 30 anos de convivência - sou funcionário aposentado e, como mestre-de-obra e diretor de obras, ajudei a construir, tijolo por tijolo, nossa querida Universidade - nunca vi tanto desânimo, tamanha decepção estampada no rosto de cada funcionário e docente. Nossa associação, que deveria estar voltada exclusivamente para o lazer e a cultura, está sendo obrigada, cada dia mais, a buscar convênios e empréstimos para socorrer financeiramente os associados.
Há um misto de decepção, humilhação e revolta no semblante de cada um. Não se fala mais em greve. Pior, fala-se somente em deixar a UEL. São docentes e funcionários experientes, altamente capacitados ao longo de muitos anos. São insubstituíveis a curto prazo. Aliás, já está sendo muito difícil substituir os que saem porque poucas pessoas se habilitam a trabalhar por tão baixos salários.
Nossa Universidade está correndo sério risco de perder seu patrimônio mais valioso e isso vai afetar diretamente a sua qualidade de ensino, de pesquisa e de prestação de serviços, e ninguém faz nada. Ou melhor, faz, mas muito pouco.
O reitor Jackson Proença Testa, à frente da Administração da UEL, tem somado esforços para gerir esta situação crítica e, com rara competência, tem promovido eventos e construído obras imprescindíveis ao crescimento da Universidade. É uma luta diária e difícil para reverter o quadro atual. Mas só o esforço e competência da administração, num momento como este, não bastam.
Se não houver uma grande pressão da sociedade sobre o governo do Estado esta situação só vai piorar. E se o nível de ensino, de pesquisa e de prestação de serviços de nossas Universidades cair, a culpa será em grande parte da própria sociedade paranaense que assiste, passivamente, ao estrangulamento da UEL, UEM, UEPG e Unioeste.
E os nossos políticos, os nossos representantes junto ao governo do Estado, onde estão? O que fazem? Será que não conseguem enxergar o prejuízo para o Paraná com o sucateamento de nossas universidades estaduais?
Que o governo continue trazendo indústrias para o nosso Estado, isso é muito bom, mas que também olhe o que já existe por aqui - indústrias, empresas comerciais e agropecuárias, escolas etc, que possibilitaram a criação desta infra-estrutura que agora tanto atrai os empresários de fora. E que se lembre, também, que boa parte da mão-de-obra especializada que move este Estado é formada nas nossas universidades. Ou será que teremos que importar também mão-de-obra?
A UEL e demais universidades estaduais do Paraná estão sufocadas e precisam de socorro. Não apenas através de cartazes, adesivos e declarações isoladas de apoio. É preciso se organizar para cobrar veementemente do senhor governador um fim a este já irritante desprezo para com as nossas universidades. Torno a alertar: se num primeiro momento as maiores vítimas deste descaso são os professores e funcionários das universidades, num segundo momento será toda a sociedade paranaense.


