Os produtores de álcool comemoram
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de março de 1997
José Tavares 
Que boa notícia para o Paraná: ser um dos coordenadores do novo Proálcool, que será reativado conforme a realidade atual pelo governo federal. Os estudos nesse sentido estão sendo finalizados em Brasília e ao Paraná caberá papel importante nesta nova fase do programa nacional do álcool. Nada mais justo, afinal somos o segundo produtor de álcool combustível no país, com 10% do total produzido. Depois de alguns anos de crise no setor, abandonado pelo governo federal desde o fantasma do desabastecimento surgido em 1989, o governo voltou a considerar a utilização do álcool como combustível dos carros fabricados no reza, de suma importância para o país, foi necessária a ameaça de uma alta espetacular nos preços dos derivados de petróleo no mercado internacional para que as autoridades brasileiras lembrassem que temos ainda o combustível do futuro.
Saudado com esta expressão, na década de 70, o álcool combustível criado no Brasil como alternativa ao petróleo provava ao mundo que era viável. Os produtores de cana-de-açúcar, a matéria-prima, foram lançados então nos anos 80 num mercado cujo consumo chegava à totalidade do que produziam. Da cana até o produto final, as usinas trabalhavam em plena capacidade. A indústria automobilística nacional tinha aderido ao Proálcool sem reservas, fabricando 95% de seus veículos na versão a álcool. O Brasil respirava aliviado, longe da crise do petróleo que ciclicamente preocupava o mundo.
Mas com a crise de desabastecimento surgida em 89, os problemas de produção de álcool combustível não foram contornados. O governo abandonou os produtores de todo o país à sua própria sorte. Com a ausência de uma política alcooleira, os ajustes necessários para atender a uma demanda crescente não foram feitos e as usinas entraram num processo de insolvência que até hoje compromete muitos daquelas que resistiram. O reflexo desse quadro veio em efeito dominó: as montadoras foram reduzindo a fabricação de automóveis movidos com este combustível, e o consumidor, assustado com o fantasma do desabastecimento, voltou a preferir os derivados de petróleo.
De lá para cá o setor alcooleiro nunca mais se recuperou plenamente, embora hoje tenha condições de suprir boa parte do mercado de combustíveis. Por esforços próprios, já que o Proálcool foi engavetado em nome de outras prioridades. Com a reativação prestes a ocorrer, os produtores de álcool tomarão novo impulso. O retorno da fabricação de veículos que usem esse tipo de combustível estabilizará o setor. Só o Paraná produz, hoje, 1,3 bilhão de litros anuais, sem incentivo do governo federal. Com o retorno do Proálcool, sua produção tenderá a crescer na mesma proporção da demanda que o mercado estabelecer.
Para a Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná, a Alcoopar, esta é a melhor notícia desde o final da década passada. Ela vinha reivindicando, para se manter, medidas do governo que estimulassem o retorno da fabricação de veículos movidos a álcool num patamar entre 250 mil a 300 mil automóveis por ano. Volume que escoaria a produção atual dos paranaenses e de outros estados, gerando milhares de empregos diretos e indiretos com o novo fôlego para o setor. Além dos veículos de passeio e os de uso misto, há alternativas como a dos taxistas, que, isentos do IPI e ICMS, renovariam constantemente a frota devido ao excesso de uso. O veículo a álcool também teria mercado entre as empresas de locação de automóveis, através da Frota Verde, um programa que as isentaria nos mesmos moldes dos taxistas, facilitando a renovação da frota movida pelo derivado de cana-de-açúcar.
Atentos aos problemas dos produtores de álcool combustível do Paraná, em consonância com a Alcoopar, de nossa parte fizemos pressão, na condição de deputado deste Estado, para que o Ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, e o presidente Fernando Henrique Cardoso reativassem o Programa do Álcool. Desde o ano passado temos reiterado pedidos nesse sentido e enviado sugestões a Brasília. Por isso hoje nos juntamos à expectativa positiva da Alcoopar, animados com o retorno do incentivo à produção alcooeira que dará novo ânimo aos produtores paranaenses.


