Que boa notícia para o Paraná: ser um dos coordenadores do novo Proálcool, que será reativado conforme a realidade atual pelo governo federal. Os estudos nesse sentido estão sendo finalizados em Brasília e ao Paraná caberá papel importante nesta nova fase do programa nacional do álcool. Nada mais justo, afinal somos o segundo produtor de álcool combustível no país, com 10% do total produzido. Depois de alguns anos de crise no setor, abandonado pelo governo federal desde o fantasma do desabastecimento surgido em 1989, o governo voltou a considerar a utilização do álcool como combustível dos carros fabricados no reza, de suma importância para o país, foi necessária a ameaça de uma alta espetacular nos preços dos derivados de petróleo no mercado internacional para que as autoridades brasileiras lembrassem que temos ainda ‘‘o combustível do futuro’’.
Saudado com esta expressão, na década de 70, o álcool combustível criado no Brasil como alternativa ao petróleo provava ao mundo que era viável. Os produtores de cana-de-açúcar, a matéria-prima, foram lançados então nos anos 80 num mercado cujo consumo chegava à totalidade do que produziam. Da cana até o produto final, as usinas trabalhavam em plena capacidade. A indústria automobilística nacional tinha aderido ao Proálcool sem reservas, fabricando 95% de seus veículos na versão a álcool. O Brasil respirava aliviado, longe da crise do petróleo que ciclicamente preocupava o mundo.
Mas com a crise de desabastecimento surgida em 89, os problemas de produção de álcool combustível não foram contornados. O governo abandonou os produtores de todo o país à sua própria sorte. Com a ausência de uma política alcooleira, os ajustes necessários para atender a uma demanda crescente não foram feitos e as usinas entraram num processo de insolvência que até hoje compromete muitos daquelas que resistiram. O reflexo desse quadro veio em efeito dominó: as montadoras foram reduzindo a fabricação de automóveis movidos com este combustível, e o consumidor, assustado com o fantasma do desabastecimento, voltou a preferir os derivados de petróleo.
De lá para cá o setor alcooleiro nunca mais se recuperou plenamente, embora hoje tenha condições de suprir boa parte do mercado de combustíveis. Por esforços próprios, já que o Proálcool foi ‘‘engavetado’’ em nome de outras prioridades. Com a reativação prestes a ocorrer, os produtores de álcool tomarão novo impulso. O retorno da fabricação de veículos que usem esse tipo de combustível estabilizará o setor. Só o Paraná produz, hoje, 1,3 bilhão de litros anuais, sem incentivo do governo federal. Com o retorno do Proálcool, sua produção tenderá a crescer na mesma proporção da demanda que o mercado estabelecer.
Para a Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná, a Alcoopar, esta é a melhor notícia desde o final da década passada. Ela vinha reivindicando, para se manter, medidas do governo que estimulassem o retorno da fabricação de veículos movidos a álcool num patamar entre 250 mil a 300 mil automóveis por ano. Volume que escoaria a produção atual dos paranaenses e de outros estados, gerando milhares de empregos diretos e indiretos com o novo fôlego para o setor. Além dos veículos de ‘‘passeio’’ e os de uso ‘‘misto’’, há alternativas como a dos taxistas, que, isentos do IPI e ICMS, renovariam constantemente a frota devido ao excesso de uso. O veículo a álcool também teria mercado entre as empresas de locação de automóveis, através da ‘‘Frota Verde’’, um programa que as isentaria nos mesmos moldes dos taxistas, facilitando a renovação da frota movida pelo derivado de cana-de-açúcar.
Atentos aos problemas dos produtores de álcool combustível do Paraná, em consonância com a Alcoopar, de nossa parte fizemos pressão, na condição de deputado deste Estado, para que o Ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles, e o presidente Fernando Henrique Cardoso reativassem o Programa do Álcool. Desde o ano passado temos reiterado pedidos nesse sentido e enviado sugestões a Brasília. Por isso hoje nos juntamos à expectativa positiva da Alcoopar, animados com o retorno do incentivo à produção alcooeira que dará novo ânimo aos produtores paranaenses.

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