Felizmente a repercussão pela vitória de Barack Obama é favorável em todo o mundo, pela esperança que as características peculiares de sua eleição semeiam. Porém, nem tudo são rosas no caminho que este jovem de 47 anos irá percorrer. Porque herda da tradição americana um passado de intervencionismo e de guerras e, especialmente, o legado do Governo Bush que não será tão fácil administrar depois dos estragos feitos.
  As minorias, que lhe deram grande força para a chegada ao poder, talvez esperam que ele resolva todos os problemas da população carente, e isto com certeza não acontecerá. Porque não existe tanto dinheiro para isso na rica nação e há desaceleração econômica e recessão, com muita inadimplência de quem financiou bens duráveis.
  É a questão da estabilidade econômica que Obama promete atacar prioritariamente, porque isto tem ligação direta com o combate aos problemas sociais, e estes só se resolvem com a retomada do desenvolvimento. A corrida armamentista certamente continuará, com gigante destinação orçamentária, porque assim quer o sistema e a indústria bélica, que é poderosa e muito influente nos EUA. Esta é, contraditoriamente – porque em prejuízo de melhorias sociais – a que dá grande suporte ao giro de capital e aos empregos. Com Barack Obama no poder o terrorismo antiamericano pode aplacar um pouco seu ímpeto, mas isto dependerá da conduta do novo presidente. Porque ele enfrentará também o ‘‘terrorismo’’ das opiniões radicais dentro de seu próprio país, que não são tão contrárias às investidas revanchistas e guerreiras. A indústria de armamento e seus segmentos são a ‘‘lavoura’’ de muita gente nos EUA. Obama já prometeu acabar com a Al Qaeda e derrotar Osama bin Laden. Esta postura foi estratégia de campanha e lhe rendeu votos. O Afeganistão é, portanto, um ponto nevrálgico e tem a ver com os EUA, que o invadiram há sete anos.
  E retirar as tropas americanas do Iraque, como quer Obama, é idéia que tem resistência porque desguarnecerá a segurança naquele país que os próprios americanos arrasaram sob o poder de George Bush. No meio do caminho também está o Irã, sempre ameaçador, embora manifestando agora o propósito de estabelecer conversações com Barack Obama.
  A administração democrata que assume a 20 de janeiro terá maioria no Senado e na Câmara dos Representantes e isto facilita bastante as coisas, mas a pressão do poder econômico no grande país irrompe de todos os lados. Esta é uma poderosa força da nação onde o capitalismo fincou raízes fundas e é triunfante.

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