A cúpula do governo Lula utilizou como estratégia de marketing para ôvender" à população brasileira a necessidade de aprovação da Proposta de Emenda Constitucional nº 40/2003, que trata da Reforma da Previdência, uma fórmula não tão nova, mas ainda persistente: desqualificar os servidores com a utilização de rótulos. Primeiro, eles foram chamados de ''marajás'' (Collor); depois, de ''vagabundos'' (FHC) e, agora, de ''privilegiados''.
Essa fórmula para convencer a maioria dos brasileiros, impulsionada por parte da mídia, mostra-se eficaz, pois continua a levar boa parte dos cidadãos a acreditar que o serviço público é desnecessário e que os servidores são pouco dedicados e possuidores de altas remunerações, discrepantes em relação ao mercado de trabalho.
Vários pontos em nossa sociedade auxiliam a intenção dos governos tendentes ao neoliberalismo - ação política que busca cada vez mais a ocupação do espaço público pelo privado - pouco se importando com os efeitos ou com a natureza do serviço a ser prestado. Entre os pontos estão a submissão dos nossos governantes ao sistema financeiro; a total escassez de empregos possuidores da mínima dignidade no mercado de trabalho; a baixa remuneração paga a quem trabalha em profissões básicas e o péssimo nível de instrução da população.
O Brasil está precisando mesmo é de um verdadeiro estadista para defender os interesses nacionais, e promover o desenvolvimento educacional, econômico e social. Com a eleição do atual presidente da República, muitos acreditaram que um cidadão simples poderia configurar-se nesse estadista. Até agora, uma grande ilusão!
Um verdadeiro estadista saberia da importância dos Poderes da República e de seus respectivos trabalhadores. Combateria, sem dúvida, privilégios existentes, como remunerações descabidas - que ocorrem em maior quantidade nos Estados e Municípios - e as aposentadorias e pensões fraudulentas. Mas nunca faria discursos para denegrir serviço e servidores públicos, ''vendendo'' uma idéia de Reforma da Previdência baseada em generalidades, utilizando uma distorção, entre milhões de casos, para convencer a população.
Se a cúpula do governo Lula tivesse o mínimo de interesse na preservação do Estado verificaria, como demonstrado em estudos do próprio governo, que a parte da população que sofre com a discriminação no mercado de trabalho - negros, deficientes e mulheres - possui, no serviço público, uma participação muitas vezes maior, quando comparada com a iniciativa privada. As mulheres, por exemplo, são maioria entre as contratações públicas. O motivo é óbvio: a escolha de servidores públicos é feita por mérito, por meio de concurso público, não levando em consideração raça ou sexo, o que dá às mulheres, por exemplo, a oportunidade de mostrar seu potencial.
Presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social

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