Os porquês da alta dos alimentos
Em recente reportagem (12/06/2008) veiculada neste espaço, o engenheiro agrônomo e pecuarista Oswaldo Pitol informava porque o preço da carne subiu e não vai cair. Dizia, ainda, que o produtor vai reagir e disponibilizar mais carne no futuro, mas que isso não poderá ocorrer de imediato, porque no período das vacas magras, o produtor foi obrigado a sacrificar as vacas que produzem os bezerros, para sobreviver. Sem a vacas não há bezerros e sem bezerros não teremos novilhos para o abate. Simples assim.
E tem mais: subiu o preço da soja, do milho, do trigo, do arroz, do feijão, entre outros produtos que vêm do campo e que tampouco recuarão aos valores de antes pela simples razão que, além do aumento da demanda, também subiu o custo de produção.
O petróleo, que fornece o diesel usado no trator que cultiva a terra, no caminhão que traz os insumos e leva a produção e na colheitadeira que recolhe os grãos cresceu 350% - apenas nos últimos cinco anos. O minério de ferro, que fornece o aço usado na fabricação das máquinas e dos implementos agrícolas, cresceu 330% no mesmo período. Como produzir sem repassar esses custos ao produto final?
E pior: o preço dos alimentos ainda está baixo, comparado ao de 35 anos atrás. Estudo da LMC International indica que de 1974 até 2001, o preço de alguns produtos estudados (milho, trigo, açúcar e óleos vegetais) caiu, em média, 2% ao ano (54% no período). Se o estudo continuasse, indicaria que os preços continuaram caindo até 2006. É importante que se esclareça aos consumidores urbanos que reclamam da alta dos alimentos, que é melhor ter comida mais cara do que comida nenhuma.
Se não ocorresse a recomposição de preços em curso, haveria desestímulo à produção. Durante muitos anos o cidadão urbano comeu barato, enquanto o produtor rural empobreceu. Trabalhou para colher prejuízos. Muitos, além de sacrificar as suas vacas, venderam as suas terras e migraram para a periferia das nossas cidades, onde constituem mão-de-obra desqualificada.
E para finalizar, além das justificativas apresentadas por Pitol para o aumento no preço da carne, vou acrescentar outros fatores que, também, interferem na alta do preço dos produtos agrícolas: aumento da população mundial, redução da área agrícola, estoques mundiais de alimentos em queda, desvalorização do dólar frente a outras moedas, especulação financeira dos fundos de investimento com commodities agrícolas e produção de biocombustíveis.





