Os políticos só pensam em eleições - Newton Orsini
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de março de 1999
Newton Orsini 
Todo o universo político brasileiro organizado institucionalmente não considera os graves problemas nacionais com seriedade. Vive em função de eleições. Tudo que faz objetiva posicionamentos eleitorais. Aceita todos os atos prejudiciais ao Brasil, desde que não prejudiquem suas ambições eleitorais. Somente protestam demagogicamente. Esses políticos quando fazem oposição ao governo federal falam e escrevem retoricamente, procurando conquistar o eleitorado e nada mais.
Presentemente, a elite privilegiada brasileira dominando a política nacional estabeleceu uma concepção absurda e imoral para o que seja democracia, caracterizando-a através da intocabilidade e da impunidade dos que detêm o poder. Os crimes de responsabilidade, de irregularidades e ilegalidades constitucionais, de improbidade administrativa e de descumprimento de preceitos fundamentais decorrentes da Constituição não são considerados. Não cogita verdadeiramente da dissolução nacional, que tem como consequência o desemprego, a miséria e a fome.
Se a Oposição estivesse pensando no Brasil já teria constituído uma equipe de insignes advogados constitucionalistas para processar o responsável pela nossa administração federal. Nessas análises devemos considerar que institucionalizaram a mentira como instrumento político-administrativo. Tudo em nome da democracia. Os políticos atribuem a esse dirigente direitos ilimitados, não considerando responsabilidades, ilegalidades e probidade administrativa. Justificando afirmam: Foi eleito pelo povo. Creio que também devem pensar: Vou manter essa situação e tentar pelos mesmos caminhos conquistar o poder e me locupletar. Se reagir, mesmo legalmente, dado a desordem em que vivemos poderá surgir uma força política ilegítima e tomar o poder. Estão somente preparando as próximas eleições. Irresponsáveis e inconsequentes. O principal caminho para a preservação da democracia é o cumprimento das normas constitucionais. Caminhamos para uma grave instabilidade social.
Principalmente os governadores de Estados, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados, os partidos políticos, as Confederações Sindicais, as entidades de classe de âmbito nacional, o procurador-geral da República e o Senado Federal, abandonando a retórica, deveriam elevar-se à consciência procurando efetiva e legalmente mudar o rumo destrutivo pelo qual caminha a nossa administração federal.
Após estabelecer caminhos jurídicos constitucionais, procurei um líder político da oposição tentando mostrar-lhe como proceder. Demonstrando constrangimento, não quis conhecer o documento preparado por respeitáveis constitucionalistas. Creio que, como a maioria, quer manter o País neste sistema de faz-de-conta, não importando a desgraça de milhões de crianças que moram, passam fome e morrem nas ruas ou em casebres miseráveis, isto é, em localidades onde falta tudo que é de responsabilidade constitucional do governo federal.
- NEWTON DE GÓES ORSINI DE CASTRO é advogado no Rio de Janeiro


