Se os Planos de Saúde têm um natural objetivo de lucro, têm sobretudo função social, por isso precisam agir com moderação e não correr apressadamente à Justiça pedindo correção de mensalidades - como já o fizeram - agora que a Agência Nacional de Saúde Suplementar determinou a ampliação de atendimentos. Pela nova ordem, deverão ser atendidos também casos de vasectomia, colocação de dispositivo intra-uterino, laqueadura, biópsia de mama a vácuo, exame de DNA para diversas doenças genéticas, auto-transplante de medula óssea, videolaparoscopia, processo cirúrgico para epilepsia e questões de nutrição, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicoterapia e outras mais.
Os Planos de Saúde não se omitem de atender a essas novas obrigações - que já entraram em vigor, valendo para os contratos a partir de 1º de janeiro de 1999 - mas querem logo corrigir tabelas, para não ter lucros diminuídos. A questão é delicada, porque essas empresas são rentáveis (embora algumas fecharam, por razões desconhecidas) e a Justiça precisa fazer um exame minucioso das contas, porque as cotas mensais dos filiados já são altas e os serviços implicam em pagamento de adicionais. Basta observar as faturas. Essas organizações prontamente reagiram à decisão da Agência, demonstrando que em momentos como este a união delas se manifesta. Os Planos contra-atacam sob o argumento de desequilíbrio financeiro, e certamente terão de mostrar números na ação que corre na 22 Vara da Justiça Federal, no Rio de Janeiro. A intenção dos Planos, pelo que se deduz de fonte da Associação de Medicina de Grupo do Paraná, é que o reajuste de mensalidades seja feito também com os filiados anteriores àquela data. Ocorre que ainda não se sabe quanto custarão, em adicional de custo, esses atendimentos que entram em vigor. Se a Justiça concordar com aumento de mensalidades, será preciso que antes faça uma detalhada equiparação de valores - o que levará tempo, e a opinião pública quererá saber - porque, sob o argumento de corrigir tabelas pode ocorrer uma desproporção desigual (a mais) na conta dos associados. E assim os lucros do Planos acabem ainda maiores, à custa de quem paga.
Se este fosse um país cujos governantes levassem a sério os atendimentos sociais - sem paternalismo - e houvesse boa aplicação do dinheiro do contribuinte, os Planos de Saúde particulares nem precisariam existir, porque o Sistema Único de Saúde daria conta do recado, sem gerar filas e pagando bem a médicos e hospitais. Eis que o Governo arrecada muito e tem os cofres abarrotados de dinheiro, mas que se dilui no custeio da pesada máquina pública - corrompida, gastadora, desperdiçadora, cara demais pelo pequeno retorno que proporciona, por isso de baixa eficiência. Porque o povo já paga para receber atendimento de saúde mas vê-se na contingência de municiar-se também desses Planos - que lhe consomem grande fatia do orçamento doméstico - ou correr o risco de morrer em caso de doença.

mockup