Antes de qualquer discussão, a entrada em operação dos perueiros clandestinos, para transporte coletivo de passageiros, é uma afronta à lei, e resta saber se mais essa transgressão será permitida. De há muito, neste país, um número sem fim de irregularidades transformou o ordenamento legal em letra morta, e os abusos ocorrem principalmente no serviço público e em setores que contam com o beneplácito oficial. O descumprimento das leis, começando pela esfera oficial, criou um círculo vicioso de ilegalidades, que passaram a ser praticadas como regra geral. Sem exagero na afirmação, o usual é o acomodamento das coisas ao arrepio da lei, e a exceção é trilhar pelo caminho legal.
Agora, uma instituição criada com o nome de Associação Paranaense de Auto-Desenvolvimento Econômico, Social e Cultural, desafia a Prefeitura de Londrina e implanta o serviço de vans e microônibus para transporte geral de passageiros o que, de resto, opera clandestinamente em grandes cidades brasileiras. Foi assim com os mototáxis, um transporte altamente perigoso, que começou irregular, primeiro na capital paulista e depois em outras cidades e que, por força da exaustão dessa prática, fora de controle, acabou regulamentado.
O desafio dos perueiros está na rua e afronta a ordem pública e a segurança dos passageiros, embora também lhes proporcione o benefício de mais uma alternativa de transporte, independente de ser ilegal. Mas o que aquela entidade dita associativa não proporciona conforme já noticiado é que os perueiros não concedem passe escolar, não atendem gratuitamente aos idosos, deficientes, crianças e entidades assistenciais, não sabem prestar atendimento de emergência em caso de acidente de trânsito, não obedecem a regularidade de horários, não atendem as áreas de difícil acesso e onde é maior o risco de assalto, não contemplam o usuário com passagem única para vários percursos, não pagam os encargos públicos a que a concessionária é obrigada, não possuem veículos de reserva, não têm motoristas com competência profissional testada para um serviço dessa natureza, entre outros.
Por outro lado, se os transportadores clandestinos entram no negócio é porque buscam trabalho, neste país de desemprego, e porque o sistema vigorante de transporte coletivo apresenta, também, as suas falhas, como ônibus circulando abarrotados e passageiros em pé por longo percurso, sobretudo nos horários de pico. A desatenção da fiscalização, por parte do poder público, quanto a esses desconfortos, é também responsável pelas invasões e quebras da lei e da ordem, como agora acontece.

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