Imprudência, excesso de velocidade, desrespeito à legislação, falha mecânica. Embora a maioria dos motoristas conheça os perigos do trânsito, um grande número continua a cometer falhas graves, expondo a própria vida e a de outras pessoas a riscos. No entanto, o que tem chamado atenção é o número de mortos no trânsito urbano de Londrina.
Estudo divulgado ontem pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) mostra que 59 pessoas morreram nas ruas e rodovias que cortam o município entre janeiro e julho deste ano. Os dados consideram ocorrências e atendimentos registrados pelo Siate, Instituto Médico Legal, Delegacia de Trânsito e Secretaria Municipal de Saúde. No mesmo período do ano passado, de acordo com a CMTU, foram 34 mortes.
E, do total de mortos neste ano, 55% envolveram motocicletas. O dado local confirma a estatística apresentada pelo último Mapa da Violência que aponta um crescimento superior a 930% do número de mortes de motociclistas no Brasil entre os anos de 1996 e 2011; o óbito de ocupantes de automóveis cresceu 72,9% no mesmo período. Se as mortes provocadas por acidentes de motocicletas são preocupantes não seria o caso de direcionar campanhas de orientação e educação específicas para esse público?
É fato que nem todos os acidentes que envolvem motociclistas são provocados por esse público mas, sem dúvida, eles são os mais vulneráveis. Além disso, o aumento da frota contribuiu significativamente para esse cenário até porque os acidentes com vítimas fatais envolvendo motociclistas aumentaram muito mais do que com motoristas ou ocupantes de veículos. Essa grande diferença pode apontar para alguns fatores.
A primeira questão é a fiscalização. A maioria dos condutores de motos está devidamente habilitada? Talvez, falte uma ação mais efetiva das autoridades nesse sentido. Outro ponto é a própria formação dos motociclistas, que pode ser falha. Além disso, uma importante ação a ser adotada e deve-se incluir carros, caminhões e ônibus é a exigência de manutenções constantes. Muitos veículos em circulação nas ruas não têm condições adequadas de tráfego. Se houve estímulo ao aumento da frota, mas não foram feitos investimentos significativos em infraestrutura e mobilidade urbana, é preciso, ao menos, exigir que os veículos estejam em condições adequadas para o tráfego.

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