Os perigos da direção perigosa
O problema do alcoolismo no trânsito é muito mais uma questão cultural do que falta de aplicação das leis, segundo a opinião do especialista em psicologia do trânsito Carlos Roberto de Souza, manifestada em reportagem publicada ontem neste Jornal. Para ele, a redução dos acidentes com veículos passa primeiro pela educação. Sabe-se, por exemplo, que é costume em alguns países que, quando um grupo bebe, uma pessoa é encarregada de dirigir o carro, e esta na ocasião se abstém de beber. Porque a pena é rigorosa para quem for apanhado ao volante estando alcoolizado. Mas não apenas isso e também porque já criou-se a conscientização. No Brasil é comum as pessoas dirigirem depois que saem de bares e festas e de haverem bebido muito. Ressalta-se aí a questão citada da educação e da responsabilidade, porque em tal condição o condutor perde o senso do perigo e pode causar desastres, como ferimentos de terceiros e inclusive dele próprio, o que caracteriza uma forma inconsciente de suicídio. O médico-sanitarista Gustavo Queiroz, que atua há dez anos no Siate sigla de Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência entende que a sensação de impunidade contribui para que as pessoas bebam mesmo sabendo que vão dirigir em seguida, e relata que os acidentes envolvem principalmente jovens, nos finais de semana. Duas latas de cerveja já bastam para desequilibrar o estado da pessoa, pois correspondem a 0,6 gramas de álcool por litro de sangue, mas sabe-se que, nos bares e festas, cada indivíduo bebe mais que isso. Além do alto risco, isto constitui falta gravíssima de trânsito, resultando em recolhimento da carteira de habilitação e a perda de 7 pontos, multa salgadíssima de R$ 957,70, apreensão do veículo, impedimento temporário de dirigir e a responsabilidade criminal em caso de mutilação, morte e outros danos, o que poderá significar prisão. Os prejuízos são muito grandes para uma negligência aparentemente inofensiva de embebedar-se e não ter a consciência de, nessa condição, entregar o veículo para alguém que não tenha bebido ou deixar o veículo onde está e retornar para casa de táxi. A propaganda alertadora de que álcool e direção não se acasalam deve ser levada a sério. Porque 50% dos acidentes de trânsito que ocorrem no Brasil são causados por motoristas alcoolizados. As pessoas que dirigem irresponsavelmente sempre imaginam que são azes do volante, sobretudo os jovens, dos quais muito se ouve a gabolice de que são verdadeiros campeões e que têm pleno domínio da máquina. Até que um acidente possa acontecer, e então poderá ser tarde para a conscientização de que o veículo é chucro e enganoso e que a imaginada aptidão era baixa. Talvez as escolas de formação de motoristas devessem ter simulador de choque violento e tombamento, assim como outras formas de acidentes a exemplo do que ocorre com os cursos de aviação e assim quem sabe o condutor estreante saberia com que tipo de máquina está lidando.





