Ter a carteira assinada ou poder trabalhar em casa? Férias remuneradas ou pagas do próprio bolso? Reportar-se ao chefe ou ser dono do próprio nariz? Essas são algumas das principais diferenças de quem possui um registro de trabalho ou trabalha por conta própria, fazendo o seu próprio horário, os chamados freelancers.
A independência e a liberdade são os fatores que mais fizeram crescer o número de profissionais autônomos. Não ter hora para levantar, não ter uma cobrança direta e poder montar o escritório dentro de casa parece um sonho para muitos, mas é a realidade destes profissionais.
''O mercado está bastante aquecido, ainda mais agora com a atual crise econômica e a incerteza da estabilidade no emprego, além da necessidade de complementação de renda. Do outro lado, as altas cargas tributárias fazem com que as empresas que precisam de profissionais qualificados possam encontrar no freelancer a solução ideal para realizar projetos específicos, que durem poucos dias ou meses'', comenta o diretor do Cathonegócios, Marco Soraggi, de São Paulo.
É difícil saber o número exato de profissionais que atuam nesta modalidade, uma vez que muitas contratações não são anunciadas, a maioria é feita por indicação ou experiência prévia. ''Também é importante ressaltar que não devemos comparar o mercado de trabalho formal com o de freelancer nas mesmas bases. Uma vaga no mercado de trabalho formal é preenchida por um profissional por um longo período, ao passo que um profissional freelancer pode prestar vários serviços para vários contratantes simultaneamente em período relativamente curto'', explica Soraggi.
Para o designer gráfico Felipe Ledier, o primeiro ''freela'' surgiu ainda na faculdade com o desenvolvimento de uma identidade visual para a empresa de um amigo. Ele afirma que a flexibilidade de horários é a grande aliada e vilã.
''Trabalhar no momento em que for mais conveniente dentro do seu dia é muito bom, mas, ao mesmo tempo, exige uma disciplina muito grande, afinal, o freelancer pode até não ter horário fixo para trabalhar, mas os clientes têm prazos que devem ser rigorosamente respeitados'', justifica.
Poder discutir e negociar os projetos diretamente com quem aprova, sem intermediários, também conta pontos. Mas o mais importante, na opinião de Ledier, é ter em mente que ''o cliente tem sempre razão'' e que para bem atendê-lo é importante entendê-lo e assim superar suas expectativas.
Para o diretor do Cathonegócios, as principais preocupações que rondam os freelancers são a incerteza de ter uma renda garantida, a falta de benefícios trabalhistas como FGTS, INSS, férias e 13º, além de terem que arcar com custos que muitas vezes são dados como benefícios por empresas, como plano de saúde, vale-refeição, entre outros.
A grande sacada é conseguir unir o emprego formal com trabalhos extras, os famosos bicos, que podem complementar a renda durante o tempo ocioso do profissional. Com isso, eles não deixam de ter os benefícios e conseguem obter ganhos muitos maiores no final do mês. ''Mesmo para os profissionais que não trabalham com carteira assinada, o trabalho freelancer é uma opção mais vantajosa quando consegue ter um portfólio de qualidade e um networking efetivo.''

mockup