Em números redondos 134 milhões de toneladas brutas de alimentos. É isto que o Brasil somará na safra agrícola de 2007. Nosso Estado é o grande campeão, com a fatia de 21,7%, seguido pelo Rio Grande do Sul com 18,3% e por Mato Grosso com 18,2%. Isto demonstra mais uma vez o poder do Paraná de terras férteis e hoje melhor cuidadas e de gente que já ganhou especialização na atividade. A grande colheita nacional acontece mesmo com o decréscimo de 0,3% na área plantada, porque houve investimento na tecnologia.
Mas, apesar deste volume favorável, a situação no campo é ainda de dificuldade econômica e o preço dos alimentos subiu, elevando a inflação de 0,24% para 0,47%. A alta é atribuída à demanda externa, que aumentou em quase todo o mundo, significando que mais produção pode não resultar em barateamento para o consumidor interno. Estas são leis do mercado, porque o Brasil é grande exportador, e pela contribuição da produção agrícola mantém elevada a balança do comércio exterior.
De qualquer modo, não se pode deixar de mencionar a anomalia distributiva (leia-se incapacidade de poder aquisitivo) existente no País, onde 40 milhões de pessoas que ainda vivem em estado de carência alimentar. Um contra-senso, se avaliarmos a prodigiosa dádiva da terra e do clima e a situação de miséria de tantos patrícios, que padecem de subnutrição num país que tem literalmente os paióis abarrotados de alimentos. Esta é uma discussão acadêmica que ainda precisa ser travada diligentemente, à luz da sensatez.
Destaca-se no processo de aumento contínuo das safras brasileiras a melhoria da produtividade, demonstrando que o homem do campo, sobretudo o que produz em escala - e segmentos individualizados do setor dos hortifrutigranjeiros - não descuida dos tratos da terra, que é o seu bem mais valioso de produção e sua única fonte de renda. Esse expressivo volume de colheita, que já está gerando entusiasmo para o plantio de 2008 - até porque o produtor rural nunca esmorece - remete para a necessidade de mais atenção do governo para a atividade do campo, que é a grande sustentadora da economia, gera empregos diretos e indiretos, traz valiosos dólares para o Brasil e - deve-se sempre lembrar - é a que abastece as mesas dos brasileiros, embora uns com mais e outros com menos.
As representações das classes produtoras e a bancada ruralista na Câmara precisam levantar a voz ante esses números superlativos de produção e mostrar ao presidente da República e ao ministro da Fazenda o quanto o negócio rural é importante para o desenvolvimento e para a sustentação da própria governabilidade, por graça da vigorosa contribuição econômica dada pela agricultura e os seus segmentos. É preciso ufanar-se desses bons números, mas também mostrar quem os produz e quais as suas reivindicações.

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