Não é "mimimi". Os números não mentem: 1.840 mortes por Covid-19 registradas no país na quarta-feira (3), um recorde em óbitos pelo segundo dia consecutivo em 24h desde o início da pandemia, no ano passado; no Paraná, mais de 800 pessoas infectadas pela doença aguardam vagas nas enfermarias e em unidades intensivas; boa parte dos estados estão com quase 100% dos leitos para tratamento da Covid lotados, sendo que nossa vizinha Santa Catarina, que chegou a receber pacientes vindos de Manaus para tratamento, agora está sentindo o mesmo drama ao ter que “exportar” catarinenses infectados para a rede hospitalar do Espírito Santo porque já não dá conta da demanda.

As estatísticas são frias e soam irrelevantes quando confrontadas com as cicatrizes que ficam naqueles que perderam familiares e amigos para a coronavírus. Mas provam de forma dolorosa e indiscutível que estamos longe de controlar a pandemia. O “lockdown” anunciado por grandes estados - Paraná incluído - na última semana parece não ter o efeito que se pretendia. Enquanto há o movimento de setores da sociedade para que as medidas restritivas sejam prorrogadas, há segmentos que defendem o retorno das atividades econômicas, permanecendo o quadro de restrições não tão rigorosas.

A demora do governo federal em providenciar as vacinas tem exigido um esforço imenso dos governos estaduais e municipais em acelerar o processo pela compra dos imunizantes. O consórcio formado pelos municípios para aquisição das vacinas é medida extrema, mas calcada na necessidade e no compromisso de cumprir com um dever que a priori é do Ministério da Saúde.

Quase 650 prefeituras em todo o país manifestaram o interesse em aderir à iniciativa, sendo 112 no Paraná até a quarta-feira (3). Londrina é uma das que aderiram e agora a expectativa é para que a Câmara Municipal vote a inclusão do município no consórcio até o próximo dia 19.

Basta uma circulada rápida pelas ruas centrais da cidade para constatar que aqui, como em boa parte do país, infelizmente os cidadãos não estão respeitando o decreto que determinou o fechamento de alguns setores e proíbe a circulação de pessoas a partir das 20h. No entorno do Bosque Central, por exemplo, as vagas para estacionamento rotativo de veículos estão sempre cheias, como em dias normais. Diariamente chegam à Guarda Municipal denúncias de festas clandestinas em locais privados.

A despeito do inevitável impacto econômico que o isolamento social provoca – e a queda do PIB, registrada nesta semana, é o maior exemplo disso -, é preciso que haja a consciência coletiva de que se não houver esforços para controlar a pandemia, evitando a sobrecarga na rede hospitalar, não sairemos melhores dessa crise sanitária sem precedentes na era moderna.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup