Os países, os estados, as pessoas, a vida enfim, têm momentos decisivos e que às vezes são dramaticamente irreversíveis. É o chamado ponto de inflexão. É curioso porque uma série de circunstâncias e acontecimentos vem estabelecendo uma conjunção solar que começa positivamente a deixar mais claro novos caminhos do Paraná.
Não são somente as vindas das montadoras e outras empresas para o Paraná, ou a constatação de que o paranaense é o povo que mais trabalha no Brasil - cerca de 47% da população trabalha mais de 45 horas semanais - ou a perspectiva viável de o Paraná vir a se tornar, através de Curitiba, com a sua estrutura de qualidade de vida, a capital do Mercosul.
Estamos no ponto de inflexão ou encontro das águas de um possível desenvolvimento sustentado e acelerado.
Outros países passaram por esses momentos: Cingapura, Coréia, Chile. E outros estados, como o de Minas Gerais. O ponto de curvatura de Minas tendia para baixo. A nordestização de Minas com o agravamento dos problemas do Nordeste fez com que, no início da década passada, os mineiros se erguessem após refletir e operacionalizar um documento denominado ‘‘Os Profetas da Catástrofe’’. Com novos mecanismos, principalmente financeiros e de créditos, montadoras como a Fiat e outras empresas que lá se instalaram, Minas passou de quarto para segundo lugar no País, superando principalmente o Rio de Janeiro e seu trinômio Saúde, Educação e Transporte, em que o ‘‘Tudo pelo Social’’ de Leonel Brizola deixou o Estado sem os recursos de uma economia forte para sustentar de modo efetivo o social.
O ponto de inflexão do Paraná tende para uma realidade animadora e positiva, com reflexos na auto-imagem e na auto-estima de um povo trabalhador, competente e adaptável às mudanças do processo de globalização, principalmente se aprofundarmos os conhecimentos tecnológicos e didáticos na área de gestão e pesquisas.
Esses novos rumos do Paraná, com base em tudo que está acontecendo, em velocidade acelerada, necessita de um debate de comunidade, a fim de uniformizarmos os discursos e caminharmos juntos na mesma direção.
Uma entidade centenária, a Associação Comercial do Paraná, com tantos serviços prestados à vida paranaense, pretende abrir os debates. O seminário ‘‘Os Novos Rumos do Paranᒒ será o portal da perspectiva alvissareira do Estado. É uma reflexão conjunta, responsável, grandiosa do tamanho dos objetivos paranaenses, nessa época de mudanças.
O Paraná vai viver daqui a dois anos e oito meses a passagem do Milênio com laivos de quem está entrando no Primeiro Mundo.
- FERNANDO MIRANDA é diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e presidente do Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial do Paraná

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