Na entrevista exclusiva que concedeu ao repórter Fábio Cavazotti, deste Jornal, o presidente Lula fala de obras que pretende realizar nos três anos que lhe restam do segundo mandato, mas promessas idênticas ela fizera ao assumir pela primeira vez (e eram a tônica dos discursos de todas as suas campanhas anteriores) e nada de revolucionário aconteceu. Uma revolução social e econômica era justamente o que o então candidato e depois presidente-eleito apregoava.
Ele afirma ao repórter que neste mandato (e um ano já se foi) vai privilegiar a educação, com investimentos no ensino fundamental e na abertura de novas universidades e de cursos profissionalizantes. E mais, que criará uma zona de segurança sanitária animal nas fronteiras Brasil-Paraguai e Brasil-Bolívia; que delimitará áreas para plantio de cana, poupando as destinadas à produção de alimentos; que criará uma Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio e que trabalhará com afinco pela agricultura. Estes são temas que interessam de perto ao Paraná, e o anseio é que tais projetos sejam de fato concretizados. O povo fica naquela expectativa de confiar desconfiando.
Uma boa intenção, no caso da agricultura, é estabelecer um zoneamento agrícola para garantir que a produção de etanol cresça em bases sustentáveis, preservando áreas com mais aptidão para a produção alimentar. Porque certas zonas não podem ser sufocadas pela cana e nem assistir ao êxodo de produtores que hoje diversificam culturas. Ótimo também que o presidente Lula anuncie programas de incentivo para o desenvolvimento nesse campo. São belos propósitos, e o que todos desejam e que isso se concretize.
A iniciativa privada tem proporcionado avanços em muitos setores, e cumpre ao governo que acompanhe esse ritmo e implante as políticas disciplinadoras e incentivadoras e que no mínimo não atrapalhe. O presidente exalta que hoje existe um equilíbrio das contas públicas e que agora seu governo vai dedicar-se também à cultura do investimento, por via do PAC, que prevê um aporte de R$ 503 bilhões. Por ora são ainda palavras.
É certo que o Brasil trilha no rumo do desenvolvimento econômico, com melhor distribuição de renda e mais respeito ao meio ambiente, como diz o presidente, mas sabe-se que isto se deveu muito pouco a políticas governamentais e sim ao arrojo e à marcha irreversível da iniciativa privada. Porque nenhuma lei favorecedora foi criada nesse sentido e nem ocorreram reformas de viciados sistemas vigorantes. Com todas as boas intenções do presidente Lula, o governo ainda cumprimenta com o chapéu alheio.
Se a administração Lula cortar os gastos dispensáveis, se começar a ocupar-se menos de aumentar a receita (e o fim da CPMF acena com possíveis surpresas desagradáveis), se partir realmente para o investimento produtivo, poderá ainda melhorar sua desgastada imagem e consagrar-se. Três anos não são muito, mas suficientes para realizar tudo o que foi prometido na entrevista, se o governo deseja mesmo tornar realidade o que anuncia e se apressar.

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