Os negócios brasileiros de armamento
No momento em que se fala do apelo do presidente George Bush ao desarmamento nuclear de outros países e da entrada de armas clandestinas pelas nossas fronteiras, é oportuno lembrar que o Brasil - uma nação pacifista quanto a ideais guerreiros - é grande fabricante e exportador de armas de menor porte (como revólveres, pistolas e fuzis) e de tanques de guerra, helicópteros e aviões militares.
Os fabricantes são a estatal Imbel-Indústria de Material Bélico do Brasil, a Embraer-Empresa Brasileira de Aeronáutica, e as indústrias Taurus e CBC-Companhia Brasileira de Cartuchos.
Os números mostram que nos últimos cinco anos o Brasil produziu 2,3 milhões de armas dos portes citados e disponibiliza uma dezena de modelos de aviões de combate e helicópteros e de seis modelos de tanques.
Todos são produtos de grande aceitação nos mercados externos, cujos compradores diretos e indiretos estão em todas as partes do mundo. Mas o Brasil também importa armamento, principalmente dos Estados Unidos.
Um detalhe - afora o enfoque principal que é a nada entusiasmante contribuição brasileira para o armamentismo de guerra - é que o volume de armas fabricado, nos últimos cinco anos, foi maior que o recolhimento da inócua campanha de desarmamento de 2004 e 2005. Uma contradição, porque os fabricantes não deixaram de abastecer o mercado interno com o excedente da cota exportada. A questão foi motivo inclusive de questionamento da CPI das Armas, que em seu relatório de 2006 apontou falhas das autoridades na fiscalização do transporte interno dessas armas, o que pode contribuir para o extravio ou roubo, no caminho para os adquirentes nacionais e os portos de exportação - escreveu o relator - acrescentando que este é um dos maiores responsáveis pelo desvio para o comércio clandestino e cujo destino, além dos compradores regulares, é o crime organizado.
O poder público, ao qual incumbe a tarefa da segurança pública e cujos custos sociais são elevados, investe na prevenção e no combate à criminalidade mas favorece o armamentismo por via da fabricação nacional desses artefatos e das facilitações da fiscalização no trajeto dessas armas e munições a partir das fábricas. A Polícia Federal não se ocupa desse mister e o controle disto fica apenas a cargo dos fabricantes, que não é satisfatório, pelo que a CPI das Armas apurou.





