Os museus e a construção da memória de um povo
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segunda-feira, 10 de junho de 2019
Folha de Londrina 
Desde o final do século 20, o mundo vive um processo de aceleração da história. É aquela velocidade em que os fatos e situações vão sendo construídos e também desmanchados. O que é novo, rapidamente fica velho. Consequência das inovações tecnológicas que mudam o mundo e as relações sociais. Nesse contexto, os guardiões das memórias assumem um papel cada vez mais relevante. Os museus são um deles e no último fim de semana a FOLHA dedicou reportagens mostrando que, embora o ritmo de vida do século 21 seja acelerado, essas instituições conseguem guardar riquezas de valor incalculável porque ampliam o conhecimento e despertam nos visitantes a consciência de identidade.
E a melhor parte é que os museus, bibliotecas e outras instituições têm utilizado a tecnologia a favor da preservação da história e da cultura de um povo, além de democratizar o acervo por meio da digitalização dos textos, imagens e objetos e divulgação on-line.
Nesta perspectiva, há pouco mais de dois anos, a equipe do Museu Histórico de Londrina tem realizado etapas de digitalização de imagens por meio do projeto “Preservação de Coleções Fotográficas como Patrimônio Histórico e Cultural de Londrina”. Cerca de 20 mil fotos e negativos já foram digitalizados, representando uma fatia de importantes coleções de fotógrafos e imigrantes que retrataram a cidade desde a década de 1930.
Na lista do Museu Histórico de Londrina estão acervos de imagens captadas por José Juliani, João Cavalheira, Ney Braga e a última coleção digitalizada: as imagens do Foto Estrela. Trata-se de um dos mais importantes estúdios de fotos de Londrina, inaugurado em 1938 pelo imigrante alemão Carlos Stenders e, depois, conduzido pelo imigrante japonês Yutaka Yasunaka – um dos pioneiros em fotos aéreas - até 2008.
O Museu Histórico de Londrina também recebeu parte do acervo fotográfico da FOLHA, que completou 70 anos em novembro de 2018. Outra parte do acervo da FOLHA já foi microfilmado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina.
Infelizmente, nem todo o patrimônio histórico do Brasil está inserido nessa realidade de preservação. O recente incêndio do Museu Nacional, do Rio de Janeiro, é um exemplo de uma perda irrecuperável.
Os locais que preservam a história de um povo são espaços que promovem valores essenciais para a humanidade e devem receber maior atenção do poder público e da sociedade civil. Independentemente da pressa do dia a dia e da velocidade das mudanças em um mundo globalizado, eles guardam informações e objetos que não serão usados apenas para expor lembranças, mas para construir memórias.


