Os muitos tipos de assaltantes
Convencionou-se qualificar de assaltante o tipo comum de delinquente que invade a propriedade alheia e rouba, ou o que, em circunstância idêntica, ainda subjuga a vítima, com o uso de arma, molestando-a ou às vezes tirando-lhe a vida. Mas não é apenas esse o bandido, e sim também aquele que deteriora o combustível e causa sério dano ao motor do veículo, que é um bem de alto custo e sempre adquirido com sacrifício pela maioria das pessoas.
Bandido é igualmente o poder público que cobra tarifa mínima superior à quantidade do serviço usado pelo consumidor, notadamente nos casos de água, luz, telefonia fixa e coleta de lixo. Está no noticiário de ontem deste jornal.
Bandido idêntico ou pior que o assaltante é o governo que age em parceria com as concessionárias do pedágio e obriga o usuário do veículo a pagar para utilizar-se de uma rodovia que, afinal, é dele e foi paga por ele; e não é uma tarifa baixa, mas um alto valor, que corresponde ao lucro do trabalhor que usa a estrada e o seu transporte para ganhar a vida caso do caminhoneiro, principalmente.
Assaltante ainda maior é o sistema financeiro representado pelos bancos, operadoras de cartões de crédito e instituições afins, que cobram juros assassinos e taxas de ''serviços'' nunca explicados; é o comércio que, para obter dinheiro à vista, opera com as financeiras e repassa o custo ao consumidor, encarecendo o produto, e tirando também o seu proveito em especulação financeira.
Mas não pára aí o assalto, porque ele está presente sobretudo na alta carga tributária imposta pelo governo e cuja arrecadação não se sabe com precisão que destino toma, mas sabe-se que também alimenta a farra pública, o desperdício e a corrupção.
Se, também com relação ao delinquente convencional, a impunidade já começa a imperar, para a marginalidade institucionalizada não há sanção e tudo corre solto. Denúncias de roubos e mau uso do dinheiro público, em todos os níveis da esfera governamental, são ocorrências diárias e tão comuns a ponto de já haverem paralisado a reação dos cidadãos.
Enquanto a massa operosa trabalha, honesta e sacrificadamente, uma comunidade subterrânea que age sobretudo nos compartimentos oficiais ou com o amparo deles vai urdindo fórmulas de assaltá-la e sugá-la até à exaustão. É o povo rodeado de assaltantes por todos os lados.





