Os métodos alternativos de resolução de conflitos - Ângelo Volpi Neto
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Ângelo Volpi Neto 
O fim de século nos faz refletir sobre as lições da história, e nosso papel. O século 20 foi marcado por grandes guerras e revoluções, contabilizamos os ideais da Revolução Francesa, aprendemos com as grandes guerras, o que a insanidade, o preconceito e o racismo significam, entre outras lições.
Afinal, podemos concluir que os grandes conflitos sempre acabam nos proporcionando grandes lições, apesar do seu lado trágico. Segundo Goethe, toda espécie de coisas acontece para ajudar aquilo que, de outro modo, nunca teria acontecido.
Tudo indica que o próximo século será, igualmente, pródigo em conflitos. Provavelmente, serão de outras espécies e localizados, ou seja, entre pessoas, comunidades ou regiões específicas. O crescimento dos regimes democráticos, o reconhecimento aos direitos das minorias, o respeito à individualidade, a globalização, entre outros, nos conduzem a uma verdadeira inflação de conflitos. Para fazermos frente a eles é necessário um câmbio de paradigmas.
A mudança da visão do conflito é o primeiro passo. Aproveitá-lo para obter um aprendizado a partir dele e crescer numa nova relação, sob novos critérios, possibilita a abertura a relacionamentos mais francos e sinceros e nos ensina a conviver com as diferenças.
Tratar o conflito antes que a violência o atinja, torna o trabalho mais fácil. Para isso é importante que se entenda que o bem e o mal, o culpado e o inocente, o certo e o errado, são critérios que devem ser vistos por vários ângulos.
Os métodos alternativos de resolução de conflitos pregam uma solução construída através de critérios múltiplos. Para a mediação e a arbitragem, a resolução do conflito deriva de um processo livre e pragmático, onde as partes estão voltadas para o futuro, buscando uma solução rápida e barata, conservando o relacionamento pré-existente.
As modernas técnicas têm permitido, no caso da mediação, índices de acordos na faixa de 80% obtidos através de um trabalho composto por princípios de boa fé, respeito à individualidade, empatia e bom senso.
Aprendemos com a mediação que cada conflito requer uma solução diferenciada, que ninguém melhor que as próprias partes envolvidas para saber o que melhor lhes convém. Muitos conflitos que perduram durante anos poderiam ter terminado com essas técnicas. Dissolução de empresas, uniões conjugais, conflitos comerciais e trabalhistas possuem um custo, tanto maior o quanto perdurem.
Nosso desafio para o século 21 é que essas técnicas possam converter-se em costume, o costume reiterado em hábito espontâneo, e isso implicará em transformação cultural, que com o passar do tempo será também origem de transformação social.
- ÂNGELO VOLPI NETO é notário em Curitiba e presidente do Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil


