Os medicamentos antieróticos
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 2003
Moacir Costa 
As inseguranças que as pessoas enfrentam no dia-a-dia, como as constantes ameaças de desemprego, a violência e toda sorte de incertezas acabam repercutindo na vida familiar, afetiva e amorosa, muitas vezes gerando problemas de ordem sexual. Vive-se num estado de tensão permanente, que faz com que as pessoas se exaltem com facilidade, briguem na rua, no trânsito, no supermercado.
A compulsão por comida também tende a aumentar como forma de compensar as frustrações e diminuir as ansiedades. E, o que é pior, muitos recorrem ao uso abusivo de tranquilizantes e de antidepressivos, como forma de aliviar o desconforto emocional. Há ainda os soníferos, que se não usados sob prescrição médica e orientação psicológica causam dependência e comprometem o desejo sexual do homem e da mulher.
Com o passar do tempo, o uso continuado de tranquilizantes (o mais comum dos medicamentos antieróticos) leva à perda da autoconfiança, à dificuldade de discernimento e de tomar decisões, aumentando a insegurança e o medo diante de situações corriqueiras, mostrando-se, o paciente, dependente da droga. Seus reflexos, por sua vez, já não são os mesmos e a memória começa a ficar prejudicada.
A área sexual rapidamente se mostra afetada. Homens e mulheres que utilizam tranquilizantes ou remédios para dormir acabam perdendo o pique e a vibração. Estímulos eróticos que antes provocavam desejo não conseguem causar excitação sexual. A pessoa passa a precisar de mais tempo na intimidade, a ereção nem sempre se mantém e o orgasmo na mulher fica muito mais demorado e nem sempre acontece.
Diante desse quadro, vale a pena o alerta: é preciso buscar todo tipo de informação a respeito desses medicamentos cujo uso tem sido largamente difundido, pois não são apenas antieróticos, como também podem levar a um quadro de dependência. As pessoas que utilizam esses medicamentos somente podem fazê-lo com orientação psicológica e acompanhamento médico.
Os antidepressivos vêm sendo utilizados de forma constante em decorrência do aumento dos quadros de depressão. Sem dúvida, propiciam uma melhora do humor, do interesse pela vida, além de uma participação mais ativa no plano social e profissional. Quanto a uma possível redução do interesse sexual, esta deve ser entendida como passageira. Com a diminuição das doses, a tendência é a retomada da atividade sexual e do prazer. Em alguns casos, a associação com o Viagra tem contribuído para uma retomada da vida sexual.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


