Os malfeitores semeando desconfiança e terror
O mal não é apenas de Londrina, mas nacional e mundial. Isto, porém, não significa que se abandone o combate à bandidagem e às irregularidades - que no Brasil se manifestam de muitas formas, incluindo falcatruas governamentais, contrabando, pirataria e falsificações, desmazelo profissional, exploração de instituições financeiras, juros extorsivos inclusive de empresas, sonegação fiscal, desonestidades individuais e assim por diante.
Não se pode generalizar supondo que a moral foi à falência, mas nunca se viveu neste país tanta desconfiança das instituições públicas e tanta insegurança. Todas as cidades são inseguras, incluindo as pequenas, e buscar as razões da violência e das ilicitudes é tarefa de grande complexidade. Se o problema é global, a resposta parece estar no padrão moral de cada cidadão que se desvia, o que tende a corporificar-se e ganhar amplitude.
Em Londrina, conforme o noticiário de ontem, mais um comerciante foi assaltado (e assassinado) por bandidos, e não porque os tenha enfrentado mas por tentar fugir deles. A estes, não basta roubar e ferir, porque também matam mesmo quando as vítimas fogem para livrar-se. Lojas e estabelecimentos de serviços começam a reduzir a jornada de trabalho, evitando ficar abertos um pouco mais depois do expediente. Parece que os assaltantes estão vencendo a batalha contra os cidadãos pacatos e trabalhadores. No caso local, o porta-voz da Polícia Militar, tenente Ricado Eguedis, louva as medidas preventivas tomadas pelos comerciantes e pela população em geral, e afirma que ''a Polícia sozinha não pode fazer milagre''. Por isso, dizer-se que não é fácil encontrar os caminhos de solução. Focar-se na intensificação do policiamento e na resolução dos problemas sociais são caminhos, mas não são tudo. Porque existe também a questão da índole e da baixa formação moral de numerosa camada de indivíduos, eis que os delitos não são cometidos apenas pelos drogados, pelos miseráveis e outros mais tendentes aos crimes, mas também por pessoas de maior nível socioeconômico.
Estes comentários não visam justificar o que acontece, mas mostrar que as razões de certos comportamentos sociais são mais profundas e não mera questão de pouco policiamento ou ausência de punição. Por mais que se busque desfiar esse novelo volta-se sempre ao princípio fundamental e ainda não revogado de que as mudanças para melhor devem começar em cada indivíduo, e assim, gradativamente, todo o conjunto resultará melhor.
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