Os juros em ritmo menor
Como esta FOLHA havia comentado dias atrás, o governo estava exagerando na sua estratégia de aumentar os juros para inibir as compras e, assim, reduzir o risco da inflação. O ambiente econômico - já sem incentivo algum depois da retomada dos impostos como o IPI -, não comporta, desde junho, qualquer indício de aquecimento. Na verdade o mercado está temendo uma recessão, isto sim.
Mas, ontem, houve demonstração de cautela. Pressionado pela divulgação de indicadores que apontam a desaceleração da economia brasileira, o Banco Central decidiu reduzir o ritmo de aumento da taxa básica de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária do BC) elevou os juros de 10,25% para 10,75% ao ano. A intensidade do aumento foi menor que a realizada nas duas reuniões anteriores do Copom, quando a taxa havia subido 0,75 ponto percentual.
Considerando o processo de redução de riscos do cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo, informou o técnico do BC aos repórteres Eduardo Cucolo e Mário Sérgio Lima. A taxa básica começou a subir em abril. Na época, estava em 8,75% ao ano, menor patamar da história recente. Desde então, houve dois aumentos que trouxeram os juros de volta ao patamar de dois dígitos.
Até a semana passada, o mercado financeiro mantinha a expectativa de que o BC anunciaria um novo aumento de 0,75 ponto na Selic. As apostas começaram a mudar na última quinta-feira, quando o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou em uma entrevista não programada que a decisão do Copom não estava fechada.
O aumento da Selic ainda é parte da política do governo para retirar os estímulos ao crescimento econômico anunciados durante a crise de 2008.
Além de elevar os juros, o governo anunciou o fim de incentivos fiscais (como o IPI zero para carros) e a retirada de dinheiro da economia por meio do aumento nos depósitos compulsórios dos bancos. A próxima reunião do Copom, que se reúne a cada 45 dias, está marcada para os dias 31 de agosto e 1º de setembro. Há ainda dois outros encontros até o fim do ano: no final de outubro e início de dezembro.





