O Banco Central elevou, pela sexta vez consecutiva, a taxa básica de juros da economia (a Selic), que passou de 18,25% para 18,75% ao ano. Com o aumento dos juros básicos do Brasil, a taxa real (ou seja, descontada a inflação) se consolidou como a maior do mundo. Os juros reais saíram de 11,4% ao ano em dezembro para 11,9% em janeiro, contra 9% da Turquia, segunda maior taxa da lista.
Um dos motivos alegados para mais uma alta dos juros é segurar a inflação. Não queremos discutir aqui essa questão. Ninguém, em sã consciência quer que o ''fantasma do dragão'', que assolou nosso País durante décadas, volte com força total. O problema é que, preocupando-se apenas com a alta dos preços, o governo se esquece do sofrimento do restante da economia (queda de consumo, declínio de vendas, desemprego, etc).
Se isso não bastasse, tem o lucro astronômico dos bancos. Com a alta dos juros, eles ganham mais emprestando ao governo e retirando crédito do mercado. Para se ter uma idéia, o aumento da concentração no setor bancário levou o lucro dos 10 maiores bancos hoje instalados no País a subir mais de 1.000% nos últimos 10 anos. Enquanto isso, eles pagam apenas 0,70% ao mês para quem deixa o dinheiro na poupança.
São números assustadores, mas que poderiam ser evitados. A sugestão é que o governo federal crie uma taxa maior para as instituições financeiras todas as vezes que os juros aumentarem. Ou será que só nós, que formamos os setores produtidos do País, temos que arcar com impostos escorchantes? Afinal, o governo, com a Medida Provisória 232, aumentou impostos de trabalhadores autônomos e empresas prestadoras de serviço.
Até quando seremos sacrificados em benefício de quem não produz nada? Os bancos só aumentam seus lucros, enquanto o restante do País vê a pobreza ser ampliada, sofre com a péssima distribuição de renda e o enriquecimento de poucos. Chega de ficar dando cada vez mais dinheiro para os bancos.
Se eles não quiserem baixar as taxas de juros para os empréstimos, o presidente Lula deve vir a público e pedir que os brasileiros apliquem seus parcos recursos no Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Aí, vamos ver se os bancos privados aguentam!
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina

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