Os jovens e a Covid-19
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segunda-feira, 29 de março de 2021
Folha de Londrina 
As últimas estatísticas da Covid-19 no Brasil mostram que não faz mais sentido a ideia inicial de que o Sars-CoV-2 não representaria tanta gravidade para os jovens. Segundo dados divulgados recentemente pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, a Amib, o percentual de mortes de jovens entre 18 e 45 anos por Covid-19 nas UTIs brasileiras triplicou.
Os pesquisadores compilaram dados de 1.593 unidades de terapia intensiva públicas e privadas do país. O levantamento é do projeto "UTIs brasileiras" e comparou um período de relativa calmaria na UTIs, entre setembro e novembro de 2020, com esse momento de colapso, entre 1º de fevereiro até a última sexta-feira (26).
Os dados mostram que o percentual de jovens mortos passou de 13,1% para 38,5%, um aumento de 193%. Se observado só o grupo de jovens sob ventilação mecânica, o aumento é de 31%: subiu de 43,2% para 56,6%. A mortalidade geral de pacientes intubados, de todas as faixas etárias, é de 53%.
Segundo mostrou o estudo, no Brasil a pandemia do coronavírus "rejuvenesceu", derrubando a suposição de que os jovens não têm a forma mais grave da Covid-19.
Especialistas estudam o porquê tantos jovens estão morrendo devido às complicações do Sars-CoV-2. Para o médico intensivista Ederlon Rezende, coordenador do projeto, eles estão chegando em estado mais grave aos hospitais ou porque retardaram a ida ou porque tiveram problemas de acesso por falta de vagas nas UTIs.
Ao mesmo tempo, os jovens estão se arriscando muito mais ao frequentar festas e shows clandestinos que juntam centenas de pessoas sem máscara e sem nenhuma preocupação com o distanciamento social. Por que eles se arriscam tanto em contrair o vírus e transmiti-lo para pais, avós e outros familiares?
O último fim de semana foi, novamente, de desobediência às orientações sanitárias em todo o país. Em Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, praias lotadas de pessoas sem máscara, como se o Brasil não fosse, hoje, o epicentro da pandemia. Denúncias de festas irregulares surgiam mais do que a capacidade da polícia fiscalizar.
A entrada de pacientes mais jovens e com quadro mais grave de Covid é perceptível em todo o país, mesmo que as autoridades de saúde não tenham dados oficiais consolidados por faixa etária.
Até o ano passado acreditava-se que as piores consequências da crise da Covid para os jovens seria o longo período longe da escola, estudando de forma remota. Mas o novo perfil da doença mostra que as questões educacionais não são os piores efeitos colaterais. A vida também está em risco.
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