Os índices Me enganem que eu gosto
Ano eleitoral, a máquina administrativa dando suporte para a campanha da candidata do governo à Presidência da República, é claro que não poderiam faltar indicadores otimistas. São muitos, para todos os gostos. Exemplo? Aumenta o consumo de tudo: energia, chocolate, cerveja. E caem os fatores negativos, como inadimplência e emissão de cheque sem fundo. Estamos no céu. Índices que nunca aparecem como alimentadores de estatísticas, de repente estão na mídia ajudando a montar um cenário triunfante. Ontem, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apareceu com outro índice, o aferidor da confiança; chama-se Confiança do Consumidor (ICC). Está em alta, é claro.
Ninguém coloca em dúvida a metodologia desses índices, nem sua veracidade. Mas eles aparecem com muita insistência. E o tratamento que recebem na mídia é de triunfalismo. Dentro do conceito me engane que eu gosto, cabe perguntar: Pode a economia dar uma guinada de 180 graus em espaço de tempo tão curto. Ora, semanas atrás, o próprio governo aumentou os juros, para inibir o consumo e assim segurar a inflação. A alta dos preços é visível demais. Mas, eis que, de repente, e não mais que de repente, tudo muda e o Brasil vira uma Suíça. Tanto é fato que, ontem, saiu um indicador falando até em deflação. Vivemos uma economia tão estável, tão abundante, que conhecemos a deflação. Salve!
Ironia à parte, pergunte ao feirante sobre o custo do combustível da velha e companheira kombi que transporta alimentos. Só pergunte.
Para agradar o governo, instituições de renome se prestam a divulgar informações que poderiam ser apenas balizadores de cáculos internos. Mas não, vira e mexe, lê-se títulos como este: Confiança do consumidor em junho tem 2º melhor nível da série. Isto cai nas pautas da mídia - hoje quase totalmente governista - e vira manchete. Não devia ser asssim, até por uma questão de respeito aos usuários desses dados, pois todos sabem que eles são efêmeros e, semanas depois, são mudados.





