Nunca se viu um Serginho que fosse grandão nem um Serjão que fosse pequenininho. Se um Serjão cai, o barulho é grande. Afora o rombo.
Caiu o Serjão! É o estrondo que o presidente FHC não quer ouvir. Se dependesse de colegas ministros e de políticos que Serjão vem importunando, ele já teria rolado Brasília abaixo.
Toda semana Serjão apronta uma. Agora, de novo. Porque meteu a boca nos ministros da área econômica, no da Justiça, no dos Transportes, no presidente dos Correios. E no ACM. Epa, te cuida com este, Serjão, que ele pode te morder a orelha! Peso pesado, Serjão!
FHC não mexe no Serjão. Que é falastrão, mas leal ao chefe. Os dois são amigos, são sócios numa fazendinha. Não se pode, pois, qualificá-los de sem-terra.
Serjão se comunica bem com o chefe. Não é à toa que é das Comunicações. FHC gosta dele, porque confia. Mais vale um fiel companheiro que dez estrategistas suspeitos.
Serjão, que extrapola os limites e fala como se fosse o supremo mandatário, em verdade é o mais subserviente perante o chefe. Porque é leal.
Quando se lê nas manchetes que FHC exigiu explicações do seu ministro, de fato ele exigiu, mas não para repreendê-lo e sim para saber mais... Quando o ministro não explica bem as verdades que diz pela imprensa FHC o chama ao gabinete para saber melhor, com mais detalhes. Para explicações. É para isto... E a imprensa diz que foi um puxão de orelhas. E se diz que assim foi, Serjão não se importa.
Não faltam os que dizem que FHC fala pela boca do Serjão. É que ele pode, FHC não. Porque se o chefe fala mal de um ministro, teria antes que tê-lo demitido. Então o que Serjão faz é falar, pra ver no que dá. Ele detona e o Planalto capta os estilhaços; sente o pulsar das veias do poder e a reação popular. Governo também se faz assim. Ou só se faz assim.
Às vezes Serjão erra na medida e põe pólvora demais nos seus disparos. Então FHC o chama urgente ao gabinete: ‘‘Pólvora demais, Serjão’’! Pode-se ver que nunca é diante da imprensa. E se fosse, o diálogo até que poderia ser duro, mas só de mentirinha.
A República tem dessas ‘‘eminências pardas’’. Serjão é necessário.
ACM, presidente do Senado (te cuida com ele, Serjão!) já responsabilizou o ministro pelos eventuais fracassos na votação das reformas. Vejam só do que depende a República! Basta o Serjão abrir a boca e o Parlamento fica dodói, e pronto: não vota mais. Que é pro Serjão aprender! Meninices.
Só o doutor Pitágoras ainda não se manifestou. Está esperando a mulher dele ser a favor para ele ser contra. Ou vice-versa.
As coisas são assim mesmo, e a gente acaba concluindo que o Serjão está é cheio de razão.
Vê-se por aí que os nossos parlamentares são movidos não pelo espírito público, não pela responsabilidade perante a pátria, como governantes que também são, mas - qual criança manhosa - se movem pelo emocional. Parece incrível que homens deste tamanho - e é algo de muito tamanho ocupar uma cadeira no Parlamento Nacional - se comportem com tanta pequenez. Aí culpam o Serjão. Que prega a estabilização da moeda, mas combinada com desenvolvimento. Daí suas críticas à política econômica dos seus amigos da Fazenda, do Banco Central. Que não rezam pelo mesmo catecismo, já que cultuam o anticonsumismo, pela via dos juros altos, um anacronismo só encontrável nas mentes dos economóides de nossa pátria amada.
Serjão não é nenhum deus, não é o sabe-tudo do Planalto, mas suas opiniões têm o poder de mil megatons. Quem estiver vulnerável que saia de baixo!
Pelas pernas da Magda, cala a boca, Serjão!
Os Serjões são necessários. Temos aqui no Paraná o nosso, de sufixo quase semelhante. O Requião. No dialeto peninsular, requião quer dizer ‘‘orelha grande’’, algo assim indomável, difícil de conter, porém sincero e honesto. Que diz com deselegância as verdades que muitos querem dizer mas lhes falta coragem, ou lhes falta a tribuna, ou lhes falta - quem sabe - a moral.
Serjões e Requiões. A República não pode dispensá-los. Eles são os incômodos necessários.

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