Os impostores do País e seus impostos malucos - Hudson Bonomo
Os impostores
do País e seus
impostos malucos
Hudson Bonomo
Há dias, o Brasil foi surpreendido pelo anúncio da proposta de mais um imposto. A causa é nobre combater a pobreza. Mas, convenhamos, combater pobreza com mais um imposto é no mínimo uma impostura, com perdão pelo trocadilho ou lugar-comum.
A criação de impostos no Brasil, às vezes travestidas de contribuições, tem-se tornado uma prática abusiva, já além dos limites da tolerância da sociedade. Nossos representantes, eleitos pelo nosso voto, deveriam saber com todas as letras que os brasileiros, trabalhadores e empresas, não têm mais de onde tirar margem de lucro ou economizar para pagar impostos.
A propalada reforma fiscal, que se arrasta no Congresso na velocidade dos interesses e barganhas dos parlamentares, prenuncia-se um fiasco completo, não apenas pela demora inexplicável e inaceitável, como pelo aumento da carga tributária que parece ser certo ela promoverá, se um dia for finalmente concluída.
Mas enquanto não temos a reforma, vamos à análise deste novo imposto. Pobreza não se combate com imposto, reverte-se com políticas de governo, de médio e longo prazo (não política eleitoreira, para a próxima eleição).
Pobreza se combate com investimentos em setores produtivos como a construção civil, que gera quase 4 empregos indiretos para cada emprego. Pobreza se combate com a criação de programas de incentivo a setores que de fato revertem em renda e geração de empregos.
Imposto arrecadado nesta teia desordenada de tributos é imposto mal pago e, quando recolhido, como tem sido praxe, é recurso mal distribuído (a CPMF resolveu o problema da saúde?).
Fico imaginando quais seriam os critérios para a distribuição dos recursos arrecadados pelo imposto da pobreza. Quem receberia este dinheiro? Como? Com que tipo de critério?
A sociedade brasileira está desenvolvida a ponto de repudiar com veemência propostas de tamanha irresponsabilidade. Antes de arrecadar, governo e classe política precisam mostrar ao País caminhos e prática para economizar recursos, para administrar com probidade, com respeito, o dinheiro que é de todos os brasileiros.
Economizar no Executivo (União, Estados e municípios), gastar menos nos Legislativos (Senado, Câmara, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais) é muito mais urgente, lógico e oportuno do que criar um novo imposto.
O Secovi do Estado do Paraná é frontalmente contra a criação de qualquer novo imposto. Somos a favor da economia no governo e nos poderes, da racionalização de gastos e da implantação de um governo de verdade, com projetos sérios para o País, com compromissos para resolver, dentre tantos problemas, também o da pobreza.
Disse o presidente Fernando Henrique, na sua viagem ao Peru, que é só votar o seu projeto apresentado quando foi senador, para criar o imposto sobre grandes fortunas, o que ele acha ser um imposto de combate à pobreza. É só votar, é só votar, repetiu ele várias vezes. Senhor presidente, nós achamos que, no caso, é só não votar. Ou seja, todos nós eleitores devemos ficar de olho naqueles que nos impedem de crescer e de encontrar o verdadeiro desenvolvimento, para não votar mais nestas figurinhas carimbadas nas próximas eleições.
Está na hora de dizer nãoa maus governantes, a maus senadores, a maus deputados, àqueles que recebem o nosso voto e depois votam contra a nossa vontade, contra os nossos interesses empresariais, trabalhistas e coletivos. Novo imposto é palavrão para qualquer brasileiro. Chega de enganação, de impostura, de papo furado e propostas indecentes. Precisamos agora é de um governo de verdade, com vergonha na cara e compromisso legítimo com o Brasil e os brasileiros.
- HUDSON BONOMO é presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis do Paraná (Secovi-PR)





