Na corrida armamentista que acontece neste planeta desde eras remotas, não se poderá fazer um justo juízo sobre quem é culpado e quem é inocente, porque toda a humanidade, ao longo do tempo, tem sido algoz e vítima desses desatinos. Significando que todos os povos, em todas as épocas, contribuíram com alguma parcela para o evento dos confrontos humanos. Porque uma guerra tem origem em pequenos conflitos, às vezes individuais, que vão se somatizando e formando uma política comunitária, depois nacional, até que o conflito maior se deflagra. Três poderes fundamentais presidem esse caos: primordialmente o econômico que se assenta em temores e lutas de sobrevivência depois o religioso e o ideológico. A Coréia do Norte, que já foi destroçada pelo poderio bélico norte-americano, agora faz experimentos com seus mísseis e tem o objetivo de direcioná-los para os Estados Unidos num eventual enfrentamento que venha a ocorrer. O Japão, que sofreu da nação americana o golpe arrasador de duas bombas atômicas, é agora parceiro comercial dos EUA e acaba de impor várias sanções à Coréia do Norte pelo seu teste com os balísticos. É um revide e uma forma de guerra que se deflagra, esta alimentadora da outra a econômica e também em sentido inverso, e assim sucessivamente. Os Estados Unidos aplaudem. Eles que foram tomados de dores mais fundas porque a ousadia norte-coreana ocorreu justamente no dia consagrado à sua independência. Uma provocação, no dizer do Departamento de Estado americano, e muito provavelmente verdadeira. Assim mesmo, o presidente Bush, embora a insinceridade dessa crença e o oportunismo preferiu desviar a rota dos mísseis para a comunidade internacional e, dessa forma, pretender mostrar que a ira norte-corena é contra toda a humanidade. A Coréia do Sul, consanguínea de seus co-irmãos limítrofes e que contou com o apoio dos Estados Unidos na sangrenta guerra entre as duas Coréias, também se manifesta e, igualmente, culpa o procedimento do país vizinho. A Grã-Bretanha, sempre aliada dos norte-americanos, toma idêntica posição. São as conveniências do momento, envolvendo nações e seus interesses. É uma bravata do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca declarar que os testes ''não representam nenhuma ameaça aos Estados Unidos''. Certamente que os experimentos não, mas uma eventual realidade sim. O que os norte-coreanos fazem não é um brinquedo. Assim vai se escrevendo a história dos governos sinistros da Terra, acionados pela força dos poderes que os rebocam e que urdem guerras e delas se nutrem. No caso norte-americano povo guerreiro e grande fomentador de conflitos da era contemporânea é conclusiva a decisão dos estrategistas da Casa Branca e do Pentágono de que ''não há sucedâneo econômico para a guerra'', ou, em outras palavras, não há um substituto. Porque o consumismo da guerra abrange todos os itens e serviços imagináveis, desde a indústria pesada do ferro e do fogo até o esparadrapo. O poderoso sindicato americano dos fabricantes de armamentos dá forte sustentação a essa corrente. Os povos diretamente envolvidos padecem mais, embora a humanidade inteira esteja sob constante ameaça. Apesar dos percalços, feliz de uma nação cuja maior disputa ainda seja o futebol!

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