A classe média brasileira é a responsável por 50% da produção nacional, porém é a que mais paga impostos e a menos assistida pelo retorno de benefícios do poder público. Por isso, na pirâmide social, este contingente da população é o mais insatisfeito. A situação não é nova e também não foi modificada no governo atual, que tira desta faixa de brasileiros, em impostos, 43% de sua renda, ou seja, quase cinco meses anuais de trabalho. No geral, o Brasil continua figurando entre os países que mais arrocham em tributação, tendo subido esse encargo de 25% para 38% do produto interno bruto. Para a classe média, tudo conspira contra, como a economia estagnada, os altos impostos, os serviços públicos de sofrível qualidade e um desestímulo a essa camada produtora. Como a situação se agrava, os filhos que emergem da classe média não encontram facilidade de emprego e por isso têm abandonado o País em busca de trabalho no exterior - Japão, Europa, Estados Unidos e Canadá, principalmente - ocorrendo o inverso do passado, quando jovens imigrantes aportaram em terras brasileiras em busca de uma nova vida. Números oficiais mostram que em torno de 150 mil jovens deixam o Brasil, todos os anos, em busca de ganho em outros países. Se isto, por um lado, resulta em captação de dólares, vai esvaziando a força de trabalho aqui, porque muitos vão e não voltam tão cedo, ou ficam lá. Tivesse o Brasil uma superpopulação, não haveria problema nessa evasão, mas pela extensão territorial e pelo muito por fazer na construção e na melhoria da infra-estrutura existente, toda essa gente que está fora faz falta. O levantamento demonstrando que a classe média estagnou, mais acentuadamente de 2001 para cá, é de várias instituições, incluindo universidades, e é preocupante por tratar-se de um segmento altamente produtivo mas que se exaure, pela sangria tributária e pelo baixo retorno em forma de benefícios governamentais. Na década de 70 essa categoria de brasileiros destinava 25 dias de trabalho para obter serviços de saúde, educação, segurança, previdência, e hoje o número de dias é 5 vezes maior, sem o correspondente retorno, que na verdade decresceu. Isto ocorre por incapacidade gerencial dos governos e porque gastam abusivamente, tendo por isso de aumentar impostos. O presidente Lula está deslumbrado com a vitória consecutiva, mas deve saber que a primeira foi pela tentativa do povo de fazer um novo experimento, com um governo populista e emergente da classe operária, e que a segunda foi o gesto de gratidão dos pobres contemplados com o ganho mensal do Bolsa-Família. Nada, portanto, lisonjeiro para a dignidade nacional se este voto preferencial é originário de misérias sociais.

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