Era um sábado pela manhã, no recente mês de janeiro. Depois de muitas horas de estrada, vindos de Brasília, ao cruzamos a ponte do Rio Paranapanema, a Léo, minha esposa, fez a seguinte observação: “Como é lindo esse verde da agricultura do Norte do Paraná” – esse tipo de comentário é recorrente nas nossas viagens.

Pouco tempo depois, ao chegarmos em Rolândia, o cenário mudou completamente. Para nossa surpresa, havia uma frenética movimentação às margens da BR-369: dezenas de pessoas extasiadas diante de um campo experimental de girassóis, algumas subindo no teto dos veículos para garantir a melhor imagem. Entramos na onda: o sol das 11 horas mostrava o contraste do amarelo vibrante com o verde-escuro e revelava o girassol em sua plenitude.

E tudo aconteceu por acaso. O campo de girassol da Agropecuária Panamá é só mais um experimento entre outros que a empresa realiza em busca de diversificação da atividade agrícola. Imagina se Rolândia, uma cidade que tem, desde a sua fundação, uma riqueza cultural única investisse na plantação de girassóis e outras plantas ao longo das margens da BR-369, da PR-170, e também nas estradas rurais como a São Rafael que já é uma atração pela sua própria natureza. Se esse despertar acontecesse, certamente Rolândia iria se consolidar como uma referência em turismo rural.

E veja que coincidência, há anos, o Daniel Steidle, da fazenda Bimini, tem usado nas suas manifestações públicas a figura de um girassol gigante para tentar chamar a atenção de Rolândia para o que verdadeiramente importa, no caso, a preservação da história, a valorização das pequenas comunidades rurais, a expansão da agrofloresta, o resgate da prática vital do plantio direto introduzido de forma pioneira pelo saudoso Herbert Bartz, o incentivo para o fortalecimento das raízes da cidade e a manutenção da sua identidade cultural.

Mas além do girassol, Rolândia tem outros locais que merecem uma visita: O Museu Histórico da Imigração Japonesa, o Museu Municipal, o Museu Izidoro Armacollo (idealizado e mantido pelo empresário Arlindo Armacollo), a Matriz São José, a Igreja Luterana, o Templo Budista, a Estátua de Roland, a Capela São Rafael, a comunidade do Deizinho do Vermelho e a Bimini, fazenda que se tornou cenário de filmes, berço de experiências e pesquisas ambientais pioneiras, sala de aula a céu aberto para estudantes, palco de eventos culturais, atraindo visitantes até de outros países.

Mas foi essa paixão coletiva pelos girassóis de Rolândia que me trouxe à mente o documentário “Por que a beleza importa”, do saudoso filósofo e escritor inglês, Roger Scruton. Para ele, a beleza é um valor tão importante quanto a verdade e o bem. Scruton lamentava que a arte moderna tenha se transformado num culto à feiura: “Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas. [...] Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida”.

P.S. - A química do belo é inexplicável. O Louvre, em Paris, é o maior museu do mundo, com 72 mil metros quadrados e 38 mil obras em exposição, incluindo “As Bodas de Caná”, de Paolo Veroneze, com impressionantes 6,77m x 9,94m. Mas o quadro mais admirado pelos 9 milhões de visitantes anuais é Mona Lisa, pintada há 520 anos por Leonardo da Vinci. O quadro é pequeno, apenas 77 cm de altura por 53 cm de largura, mas o sorriso enigmático de Mona Lisa permanece sendo a fonte incessante de mistério, beleza e admiração.

Edinelson Alves, jornalista

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