Os girassóis de Rolândia e por que a beleza importa
Mas além do girassol, Rolândia tem outros locais que merecem uma visita
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terça-feira, 07 de abril de 2026
Mas além do girassol, Rolândia tem outros locais que merecem uma visita
Edinelson Alves 
Era um sábado pela manhã, no recente mês de janeiro. Depois de muitas horas de estrada, vindos de Brasília, ao cruzamos a ponte do Rio Paranapanema, a Léo, minha esposa, fez a seguinte observação: “Como é lindo esse verde da agricultura do Norte do Paraná” – esse tipo de comentário é recorrente nas nossas viagens.
Pouco tempo depois, ao chegarmos em Rolândia, o cenário mudou completamente. Para nossa surpresa, havia uma frenética movimentação às margens da BR-369: dezenas de pessoas extasiadas diante de um campo experimental de girassóis, algumas subindo no teto dos veículos para garantir a melhor imagem. Entramos na onda: o sol das 11 horas mostrava o contraste do amarelo vibrante com o verde-escuro e revelava o girassol em sua plenitude.
E tudo aconteceu por acaso. O campo de girassol da Agropecuária Panamá é só mais um experimento entre outros que a empresa realiza em busca de diversificação da atividade agrícola. Imagina se Rolândia, uma cidade que tem, desde a sua fundação, uma riqueza cultural única investisse na plantação de girassóis e outras plantas ao longo das margens da BR-369, da PR-170, e também nas estradas rurais como a São Rafael que já é uma atração pela sua própria natureza. Se esse despertar acontecesse, certamente Rolândia iria se consolidar como uma referência em turismo rural.
E veja que coincidência, há anos, o Daniel Steidle, da fazenda Bimini, tem usado nas suas manifestações públicas a figura de um girassol gigante para tentar chamar a atenção de Rolândia para o que verdadeiramente importa, no caso, a preservação da história, a valorização das pequenas comunidades rurais, a expansão da agrofloresta, o resgate da prática vital do plantio direto introduzido de forma pioneira pelo saudoso Herbert Bartz, o incentivo para o fortalecimento das raízes da cidade e a manutenção da sua identidade cultural.
Mas além do girassol, Rolândia tem outros locais que merecem uma visita: O Museu Histórico da Imigração Japonesa, o Museu Municipal, o Museu Izidoro Armacollo (idealizado e mantido pelo empresário Arlindo Armacollo), a Matriz São José, a Igreja Luterana, o Templo Budista, a Estátua de Roland, a Capela São Rafael, a comunidade do Deizinho do Vermelho e a Bimini, fazenda que se tornou cenário de filmes, berço de experiências e pesquisas ambientais pioneiras, sala de aula a céu aberto para estudantes, palco de eventos culturais, atraindo visitantes até de outros países.
Mas foi essa paixão coletiva pelos girassóis de Rolândia que me trouxe à mente o documentário “Por que a beleza importa”, do saudoso filósofo e escritor inglês, Roger Scruton. Para ele, a beleza é um valor tão importante quanto a verdade e o bem. Scruton lamentava que a arte moderna tenha se transformado num culto à feiura: “Nossa linguagem, nossa música e nossas maneiras estão cada vez mais rudes, egoístas e ofensivas; como se a beleza e o bom gosto não tivessem nenhum lugar real em nossas vidas. [...] Eu acho que nós estamos perdendo a beleza e há um risco de que, com isso, nós percamos o sentido da vida”.
P.S. - A química do belo é inexplicável. O Louvre, em Paris, é o maior museu do mundo, com 72 mil metros quadrados e 38 mil obras em exposição, incluindo “As Bodas de Caná”, de Paolo Veroneze, com impressionantes 6,77m x 9,94m. Mas o quadro mais admirado pelos 9 milhões de visitantes anuais é Mona Lisa, pintada há 520 anos por Leonardo da Vinci. O quadro é pequeno, apenas 77 cm de altura por 53 cm de largura, mas o sorriso enigmático de Mona Lisa permanece sendo a fonte incessante de mistério, beleza e admiração.
Edinelson Alves, jornalista


