Medida em pesquisas sucessivas, a eleição presidencial chega esta semana àquele ponto em que a pipoca passa a estourar na panela. Com a temperatura máxima, os estouros também se sucedem nas redes sociais, principal território de embate político desde que a internet transformou-se em palco onde todos têm voz, embora o que mais se ouça sejam, muitas vezes, desaforos e xingamentos.

A transferência do clima dos estádios de futebol para a política fez com que o termo Fla X Flu fosse consagrado há pelo menos cinco anos, quando as panelas começaram a esquentar sem nenhum controle do milho virando pipoca. Surgiu assim um debate estourado e barulhento, que se acirrou a partir das manifestações de junho de 2013.

A pesquisa Datafolha da última terça-feira (2) pôs mais lenha na fogueira com Jair Bolsonaro (PSL) chegando a 32% da preferência do eleitorado, enquanto Fernando Haddad (PT) chega aos 21%. Além das preferências para primeiro e segundo lugar na corrida, o que os equipara são os altos níveis de rejeição que deverão moldar o resultado final.

Um fenômeno a ser estudado futuramente será a polarização que não pode ser chamada "radicalização", segundo alguns especialistas que combatem exageros semânticos que transformaram as palavras "comunista" e "fascista" em vocabulário corrente, embora ninguém entenda bem a origem e aplicação dos termos.

Outro ponto de interrogação, segundo os analistas, é o que tem levado os eleitores a abandonarem o centro para apostar nos opostos, ainda que alguns sugiram que o resultado final - vença quem vencer - poderá acirrar a polarização nos próximos quatro anos, o que está longe de ser produtivo.

Muitos perguntam se não seria mais lógico, num país em frangalhos, que o eleitorado, cansado de brigas, apostasse na ponderação de candidatos como Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) ou Geraldo Alckmin (PSDB). Mas abrem-se cada vez mais os flancos da disputa que terá no próximo domingo (7) o seu primeiro "round", com poucas chances para os candidatos que poderiam sugerir uma pacificação dos ânimos.

O rufar dos tambores de guerra tem configurado a disputa presidencial como um campo minado que tem nas redes sociais seus alto-falantes mais potentes. Isso pode sugerir um futuro em que o desenvolvimento real - desejo de todos os brasileiros - poderá sucumbir a uma guerrilha de valores que sufoca o entendimento de que somos uma só nação, de muitas cores. Resta torcer para que uma vez eleito, o próximo presidente tenha um olhar generoso de conciliação. Este é o papel dos estadistas dos quais não vemos nem sombra há muito tempo.

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