O Brasil é um país de extremos no que respeita aos ganhos pelo trabalho profissional, e numa tal situação as injustiças são coisa comum. Habituadas a isso, as pessoas já não reagem e acham natural. O mesmo ocorre com certos serviços, entre eles o de saúde. Se há médicos que cobram R$ 50 mil, ou mais, por uma cirurgia mais delicada, a própria classe tem de aceitar o minguado valor que o SUS lhe paga por consulta e cirurgia. Não há um meio termo, de forma a que esses profissionais sejam suficientemente remunerados e os pacientes não morram de colapso ao receber a conta se não figuram entre os que estão na faixa do Serviço Único de Saúde ou dos planos de saúde estes não tão baratos assim. Se há médicos abnegados, há os que não atendem nem pelo SUS e nem pelos planos. Se hoje são raros os casos de alguém morrer por falta de atendimento embora eventuais superlotações nos hospitais o custo para quem cair nas malhas do atendimento hospitalar particular pode significar a bancarrota do paciente, se o internamento for longo. E com tudo isso os hospitais vão mal financeiramente.
Alguém já disse que o Brasil é um imenso hospital, porque com tanta gente pobre e mal nutrida, a saúde se agrava e a busca por atendimento médico, hospitalar e também dentário se intensifica em nível acentuadamente maior que nos países desenvolvidos. Os estudos que tratam da dor demonstram que o povo brasileiro figura entre os mais sofridos. Agora, farmacêuticos e médicos estão em briga com os planos de saúde, porque querem melhor remuneração pelos serviços que lhes prestam. De sua vez, os conveniados queixam-se que, apesar de pagar um seguro-saúde em forma da mensalidade, não são atendidos em todos os casos e são obrigados a pagar adicional por certos exames. Ainda não se encontrou um ponto de equíbrio no setor de atendimento da saúde. Por sua vez, o custo dos remédios mata o paciente no balcão da farmácia quando ele não consegue obter as amostras grátis dadas pelo médico ou pelo posto de saúde.
O setor de saúde é perverso e tange a todos, a começar do paciente, passando pelo médico e os atendentes afins, até a estrutura hospitalar, justamente por esses extremos. Salvam-se os médicos que fazem serviços especiais e que não atendem aos pacientes ''populares''. O desequilíbrio entre os ganhos profissionais, assim como dos sistemas de atendimento de saúde, são bem a amostragem desta nação ainda tão distante do padrão a que chegaram inúmeras comunidades mundiais, onde há um elevado porcentual de uniformidade de ganhos pelo trabalho e também dos serviços públicos de saúde, educação e segurança. Por não conhecer esses padrões, o povo brasileiro nem luta por direitos, até porque não se julga merecedor, e chafurda no conformismo; e o Governo tira proveito, valendo-se dessa condição. A própria iniciativa privada ainda não alcançou a necessária maturidade para entender essas elevadas políticas de cidadania uma coisa puxando a outra, sem grandes avanços.

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