Os efeitos do álcool
Têm sido recorrente em todo o País os registros de acidentes de trânsito provocados por pessoas embriagadas. O uso da bebida é aceito pela sociedade brasileira, fator que aliado à falta de conscientização e de educação de muitos motoristas, provoca grandes tragédias.
Nessa semana ganhou repercussão nacional o caso registrado em São Paulo de um jovem que bateu em seis carros, feriu quatro pessoas (incluindo um outro motorista que teve 90% do seu corpo queimado) e tentou fugir a pé. Segundo a polícia, ele ''aparentava sinais de embriaguez'' e acabava de sair de uma boate. O motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro, o que também tem se tornado rotina País afora. No entanto, neste caso especificamente, ele foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, onde passou por exames que comprovarão a sua embriaguez.
O artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro determina punição de seis meses a três anos se o motorista for flagrado ''com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a seis decigramas''. No entanto, a maioria se recusa a passar pelo etilômetro como base no princípio constitucional de que ''ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo''. E, neste caso, o que ocorre é que o condutor acaba sem punição.
Levantamento realizado no primeiro ano de vigência da ''Lei Seca'' (entre junho de 2008 e maio de 2009) aponta que os condutores no Paraná foram absolvidos em 76% dos casos, mesmo com provas testemunhais que atestavam a embriaguez dos motoristas. No País, o índice de absolvição foi de cerca de 80%. É um triste cenário, que não pode perdurar. Motoristas bêbados não podem continuar impunes, provocando a morte de outras pessoas, além de danos psicológicos e materiais.
Matéria de hoje desta FOLHA mostra que cerca de 12% da população brasileira é dependente de bebidas alcoólicas, segundo estimativa da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas. Outros 24% fazem uso abusivo, ou seja, apesar de não beberem todos os dias, ingerem grandes quantidades de álcool em algumas ocasiões. Se as pesquisas indicam que um grande número de brasileiros é suscetível a esse tipo de bebida, as campanhas de trânsito devem ser focadas nesta questão. Somente com conscientização, educação - e punição efetiva - é que as estatísticas de mortes e acidentes no trânsito poderão ser revertidas.





