Os donos do cofre (público)
Mãos ao alto! Esta é a síntese da última manobra anunciada pelos nossos congressistas que, mais uma vez, legislando em causa própria, decidiram que até o final das eleições, em outubro, praticamente estarão desobrigados dos trabalhos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
A manobra, anunciada em forma de acordo, estabelece que as duas Casas legislativas deverão marcar votações no plenário às terças e quartas-feiras de uma ou duas semanas em agosto. As datas ainda serão agendadas.
O acordo ainda restringe que nessas sessões sejam votadas apenas medidas provisórias (MPs) que poderão perder a validade neste período se não forem apreciadas pelos plenários.
Somado ao período de esforço con-centrado ainda há o recesso parlamentar que oficialmente vai de 18 a 31 de julho. Mas, como o Congresso aprovou na última quinta-feira a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) de 2011, na próxima semana será quase impossível encontrar parlamentares em Brasília.
Não bastasse o privilégio de poder permanecer em suas bases eleitorais justamente enquanto a maioria busca mais um mandato, deputados e senadores ainda receberão seus vencimentos sem nenhum centavo de desconto pelas ausências.
E, se com tudo isso - feito na esfera da legalidade, asseguram -, o leitor pagador dos impostos que sustentam os cofres públicos não se indignou, há ainda a saída arranjada por técnicos da Mesa Diretora do Senado para assegurar a convocação - e o respectivo pagamento - de quatro suplentes. Ideli Salvati (PT), José Agripino Maia (DEM), Raimundo Colombo (DEM) e Garibaldi Alves (PMDB), que disputarão as eleições de outubro, pediram afastamento médico para complementar o período de licença necessário para que fossem chamados seus respectivos suplentes. O mais interessante é que nem os titulares, tampouco os suplentes terão trabalho mediante o acordo que suspendeu os trabalhos no Congresso.
Essas e outras atitudes demonstram a importância do acompanhamento dos mandatos. Se tomarmos somente o exemplo acima já dá para ter uma ideia de qual o comprometimento dos congressistas com o suado dinheiro público.





