Os dois lados da saúde
A saúde do londrinense passa por momentos difíceis nos últimos meses. O imbróglio envolvendo prefeitura e empresa prestadora de serviços médicos vem deixando descobertos plantões em diferentes Unidades Básicas da cidade. A falta de funcionários e médicos, que consequentemente causa demora no atendimento, revolta a população, que já foi às ruas protestar, sem que o problema fosse resolvido. Hoje, no Dia Mundial da Saúde, a crise ganha novo contorno. Impasse entre valores pagos por planos e seguros de saúde a médicos motiva paralisação em todo o País. Segundo o sindicato dos médicos, a mensalidade dos usuários subiu 136% nos últimos 18 anos, enquanto as consultas tiveram reajustes ''irrisórios''.
Por cada atendimento coberto, o profissional recebe R$ 40, afirma o sindicato. O objetivo é que o valor seja reajustado para R$ 60. No Paraná, o movimento será engrossado pelos fisioterapeutas e odontólogos. A paralisação não vale para urgências e emergências. A Associação das Entidades Paranaenses de Autogestão em Saúde e a Associação Médica debatem o assunto no próximo dia 18. A Associação Brasileira de Medicina de Grupo informou que ''não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços''.
Em ambos os casos, a população sai perdendo.
O serviço público de saúde há muito não é um primor, apesar de um ex-presidente já ter equiparado o atendimento do SUS ao de países desenvolvidos. E já é hora de deixar de lado a desculpa de falta de dinheiro. A carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo: R$ 1,4 trilhão deve ser arrecadado este ano. Falta planejamento e objetividade dos governos em todos os níveis. A verba é mal gasta e se perde em casos sem fim de corrupção.
Por outro lado, quem paga - e muito - pelo direito básico de ter acesso à saúde agora se vê no meio de uma briga. Levantamento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelou ontem que 100% dos contratos entre operadoras e médicos estão irregulares. É necessária uma ação mais ágil dos órgãos fiscalizadores, e do próprio governo, para evitar prejuízo ainda maior para os usuários.





