Os desencantos da Fórmula 1
Sob o título Desencanto na F-1 a carta de um leitor desta FOLHA, o médico João Alberto Twardowski, de Guaíra, expressa o descontentamento de muitos, talvez milhares, de brasileiros. Diz ele: A Fórmula 1 perdeu milhares de torcedores que deixarão de assistir às corridas e procurar fazer algo mais interessante depois do vexame da chegada no grande prêmio da Alemanha. Por que iremos vibrar com as manobras arriscadas e torcer pelos nossos corredores, quando a chegada depende de ordens superiores? De ver o Felipe Massa ter braço para chegar em primeiro e ter de tirar o pé do acelerador para o outro levar a glória? É desanimador não conseguirmos ver um brasileiro no alto do pódio e perder uma bela manhã de domingo para passar essa por esse vexame todo. Definitivamente, a F-1 não vale mais a pena! Perdeu o encanto.
Basta o que ocorre com o futebol. No futebol a emoção de milhões de pessoas está depositada num único indivíduo, o árbitro, auxiliado por dois bandeiras que ele não é obrigado a ouvir. E que são tão falíveis quanto ele.
Não é porque envolve uma quantia portentosa de dinheiro que a Fórmula 1 tem que atropelar o espírito de luta que caracteriza todo desporto, tampouco bater de frente com a emoção das pessoas.
Como diz Fernando Faro, da equipe de Editores deste jornal: Cabe questionar a postura dos dirigentes da Fórmula 1, que há muito tempo deixou de ser um esporte e transformou em, apenas e tão somente, um negócio que movimenta cifras gigantescas. Nos aúreos tempos da rivalidade entre gênios das pistas como os brasileiros Ayrton Senna e Nelson Piquet, do francês Alain Prost, e do inglês Nigel Mansell, entre outros, os pilotos levavam a sério a disputa por posições e dificilmente deixariam o rival passar por ordem da equipe.
Esses sim eram exemplos para os jovens, pois colocavam o espírito esportivo acima de tudo. As disputas eram invariavelmente emocionantes e o torcedor que por vezes ficava acordado até altas horas da madrugada para acompanhar a corrida poderia até ficar triste com a derrota de algum brasileiro, mas nunca decepcionado por acompanhar uma combinação de resultado. Combinação que pode até ser boa para as escuderias, mas que é péssima para a imagem do esporte. Atitudes de ídolos que não devem ser seguidas pelos fãs.





