Desde a sua criação, em 1967, o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) não passou por crise semelhante a que passa hoje. Amparado em captações da caderneta de poupança que rentabilizam o investidor em 6% ao ano mais o indexador, e também pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) através dos depósitos realizados pelos empregadores, a finalidade do sistema sempre foi de estimular a construção civil e obras de saneamento básico.
Foram diversas as formas de pagamento criadas. Primeiro com o FCVS e por último com uma revisão completa dos saldos com descontos, o que os agentes financeiros chamaram de ótimo negócio para quem devia.
No entanto, conforme já delineado em outras oportunidades, o Sistema Financeiro da Habitação sempre foi o carro-chefe de lucros para quem emprestava os recursos, já que além da rentabilidade entre a diferença da captação e do empréstimo, vinha junto com o pacote os seguros de vida e do imóvel, e ainda a obrigatoriedade de se manter uma boa conta corrente.
Por sua vez, com as cobranças dos juros capitalizados minando por completo os saldos devedores de quem adquiriu imóvel, o que elevou os custos dos seguros, a inadimplência foi quase total e as carteiras de crédito imobiliário, responsáveis por polpudos lucros, caíram para a realidade da liquidez do mercado. A morosidade da Justiça brasileira no julgamento das ações estimulou as empresas a reduzirem empréstimos.
A construção civil é a responsável hoje por uma das maiores cadeias de trabalhadores no mercado, além do que, com estímulo do setor vários segmentos de mercado são favorecidos. Quando deparamos com a Caixa Econômica Federal (CEF) se retirando do mercado alegando custos e falta de rentabilidade, temos que ficar preocupados sobre os seguintes aspectos: temos como parâmetro a lei da oferta e procura e, reduzindo-se financiamentos e aumentando-se a procura, eleva-se o custo, inviabiliza-se a compra e, por conseguinte, novos investimentos; os bancos privados reduzirão os valores dos financiamentos, aumentando as taxas; com a queda da oferta de financiamento reduzir-se-ão as construções e, por sua vez, aumentar-se-ão os custos do metro quadrado; o que dizer então da mão-de-obra que ficará ociosa no mercado? E dos produtos que não serão consumidos? E dos efeitos colaterais na cadeia produtiva? Qual a saída?
Com certeza, o caminho é a verificação total na responsabilidade dos agentes financeiros em cobrar valores corretos e custos compatíveis com o lucro e a captação. Depois, um procedimento jurídico mais ágil na retomada do imóvel inadimplido.
Sobre os custos, o governo deveria realizar primeiro as mudanças acima citadas concernentes a cobranças corretas de custos. Com o banqueiro tendo mais segurança, a retomada de financiamentos poderá ser estimulada.
Da forma em que o mercado se encontra, com certeza os bancos correrão atrás das classes médias e altas para financiamentos de imóveis e também solicitarão avais dos interessados com taxas de juros muito altas para viabilizar qualquer compra.
Devemos ficar atentos já que a falta de financiamentos será um caos para o setor e os efeitos cascata mostrarão suas garras no prazo de três e seis meses.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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www.afiplan.hpg.com.br

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