Os principais indicadores de atividade econômica em 2014 denotam a trajetória descendente da economia brasileira e a perspectiva desanimadora em relação aos resultados do exercício de 2015, transferindo para o longo prazo uma possível retomada do crescimento econômico.
A média das expectativas de mercado para a variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, divulgada pelo Banco Central, é de -0,50%, em 2015, o que torna mais difícil implementar os ajustes necessários na economia. Não há dúvidas de que as medidas são custosas em curto prazo, exigindo, essencialmente, a retomada do equilíbrio fiscal, recondução da inflação para o centro da meta e diminuição do deficit externo.
Na verdade, o maior desafio para a equipe econômica da atual gestão federal está na combinação de medidas que, do ponto de vista prático, não são possíveis de ocorrer simultaneamente, num cenário de estagnação. De fato, a retomada do equilíbrio fiscal requer aumento da poupança pública (corte de despesas ou aumento dos impostos), realinhamento no sentido do realismo tarifário e a melhora nas contas externas com uma taxa de câmbio mais depreciada. Ou seja, um conjunto de medidas que, por certo, deve elevar a inflação acima do teto da meta.
Somada às barreiras internas, a conjuntura internacional aponta para a amplificação da volatilidade dos mercados cambiais, com novas desvalorizações das moedas dos principais países emergentes, aumentando as expectativas de que a escalada recente de endividamento das empresas desses países, entre eles o Brasil, possa provocar inadimplência do setor produtivo, principalmente da indústria. Ao mesmo tempo, há o ingresso de recursos para portfólio, especialmente para o mercado de renda fixa, em função das altas taxas de juros, o que é considerado uma piora na qualidade do financiamento do deficit em transações correntes do Brasil em 2015.
Tais constatações evidenciam que a estratégia de aumento da competitividade baseada na chamada "nova matriz econômica", que priorizou medidas como as intervenções excessivas, levando à redução da eficiência geral da economia e do funcionamento de mercados específicos, a exemplo das agências reguladoras, bem como as ações protecionistas, que isolaram o País das correntes de comércio internacional, e o crescimento de medidas antidumping, são exemplos de ações pouco efetivas.
De fato, esse trade-off com o qual se depara a equipe econômica da atual gestão federal, poderia ser evitado com a capitalização da oportunidade histórica que se abriu na década passada para dar um salto na competitividade via reforma microeconômica, com destaque para a reforma tributária, trabalhista, redução do protecionismo que dificulta a modernização das empresas brasileiras, acordos comerciais com países desenvolvidos e inserção da indústria nacional na cadeia de produção global.

FRANCISCO JOSÉ GOUVEIA DE CASTRO é economista, pós-graduado em Finanças e Diretor do Centro Estadual de Estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) em Curitiba



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