O mundo deverá ter dois bilhões de idosos em 2050, conforme estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde), agência subordinada à ONU (Organização das Nações Unidas). O número é o dobro dos 900 milhões de indivíduos nessa faixa etária registrados em 2015 e, segundo a organização, os idosos representarão daqui a 30 anos um quinto da população do planeta.

Levando esse cenário futuro em consideração, a sociedade precisa se conscientizar que envelhecer bem deveria ser uma prioridade global. A FOLHA trata desse tema nesta terça-feira (4), mostrando como o Japão convive com essa realidade. Cerca de um terço dos japoneses já tem mais de 65 anos.

A reportagem ouviu profissionais da área da saúde e pessoas que trabalham com a população mais velha, trazendo também para os leitores um pouco da experiência da “Terra do Sol Nascente”. O médico Áureo Cinagawa explicou que diversos fatores contribuem para a qualidade de vida, sendo que o mais importante deles é o estilo de vida. Fatores genéticos e ambientais têm peso de 20% cada. A medicina curativa é o menor deles, com peso de apenas 10%. Por isso, a promoção à saúde é uma das linhas bastante defendidas e, nesse quesito, manter atividades físicas e o convívio social após os 65 anos é importantíssimo. Outra área que ganha atenção é a assistência médica domiciliar permitindo que o idoso mantenha o tratamento em casa, junto com a família e os amigos.

Os japoneses têm uma palavra que representa esse modo de vida. “Tanoshimi”, segundo a coordenadora do grupo de idosos da Acel, Luzia Deliberador, pode ser traduzida como a “esperança de reencontrar os amigos”. Para muitos, está nesse comportamento positivo o segredo da longevidade. Independente da idade, enquanto há perspectivas, sonhos e esperança há também alegria de viver.

Mas não há otimismo que resista a um sistema de saúde ineficiente e ao alto custo dos produtos voltados à terceira idade. Por isso, a questão é como criar políticas públicas que permitam que os idosos tenham condição de viver mais tranquilamente, com qualidade na assistência social, na saúde e com condições financeiras para seguir em frente de maneira leve e positiva? Como preparar os países para receber os 2 bilhões de pessoas com mais 65 anos? Hoje, a única certeza é que os homens e mulheres estão vivendo mais, porém, muitos não estão conseguindo viver melhor que seus pais.

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