No início do século, a maior absorção de trabalhadores se concentrava nas atividades rurais e artesanais e em menor número nas atividades burocráticas, militares, comércio e serviço. Porém, concomitante à Primeira Guerra Mundial nasciam os princípios da transformação do trabalho artesanal em trabalho organizado, com produção em massa, o que depois também foi chamado trabalho industrial.
Foi muito forte o impacto que este modelo causou, e naquela época acreditava-se que ele poderia gerar significativo desemprego. Este receio não se concretizou porque o problema acabou sendo equilibrado pelo grande desenvolvimento das fronteiras agrícolas, necesária à demanda decorrente do conflito mundial, que exigia cada vez maiores volumes de produtos e suprimentos, devidamente padronizados.
Este foi também um momento marcado pelo crescimento quantitativo da presença do Estado, além de um demandador de ocupação da força de trabalho ora nas funções burocráticas, ora nas militares e até na produção.
Na primeira metade do século, este processo se intensificou e gradativamente novos mercados equilibraram a equação da oferta de emprego, mesmo numa sociedade que se industrializava rapidamente. Finda a Guerra, este modelo de processo econômico ainda sobreviveu até o início dos anos 70.
Iniciaram-se naquela década alguns ensaios para a diminuição do tamanho do Estado na economia que, de um lado havia entrado em infra-estruturas e também na produção, e como consequência onerava demasiadamente a relação de tributos por serviços prestados.
Na América Latina ainda passamos mais uma década aumentando a presença do Estado, até à asfixia provocada pelo custo do dinheiro para bancar as inversões em infra-estrutura e na produção. Paralelamente, um mundo em rápida transformação incorporava cada vez mais velocidade com as inovações tecnológicas que desequilibravam a equação do emprego.
A introdução da tecnologia nos meios rural e urbano somando-se às formas cada vez mais apuradas de gestão, conduziu todas as nações a novos desafios de difícil solução na equação do emprego. Até mesmo com o esfacelamento da utopia socialista se acrescentaram novos desafios. Um deles, foi como qualificar e readaptar o enorme contingente de pessoas oriundas do meio rural ou de economias fechadas com baixa qualificação para a livre concorrência, dentro dos índices de crescimento médio que as nações vinham obtendo.
Mesmo com a criação de mais oportunidades geradas pelo setor de serviços, garantidas por formas alternativas descobertas pela economia informal, projetava-se nítido descompassado entre oferta e demanda por postos de trabalho. Verificou-se o desequilíbrio da estrutura estatal, com claros sinais de exaustão por excesso de peso, forçada a arrecadar mais impostos para sustentar-se, situação que estabeleceu severa contraridade da sociedade.
Agora, chegamos ao final do milênio com uma equação extremamente complexa: 1) O setor primário, sem ter mais novas e grandes fronteiras agrícolas, com a incorporação de inovações tecnológicas cada vez produz mais em menores espaços, e com menos pessoas a custos proporcionais mais baixos, inviabilizando também a pequena propriedade de se autosustentar; 2) No setor secundário, a produção industrial atingiu níveis elevados de tecnologia através da automação e da informática, sendo que as operações estão cada vez mais pressionadas a permanentes aprimoramentos. Este é um dos setores que também estão mais desempregando do que absorvendo operários; 3) O setor terciário é o único que ainda não entrou em colapso e tem absorvido migração de mão-de-obra sem o mesmo nível de exigência do secundário; 4) O setor estatal vem sendo cobrado pela sociedade, que exige que os governos privatizem ativos de produção, repassem ativos passíveis de concessão e reduzam seus contigentes militares.
Este quadro revela o Brasil e o mundo do século 21, com desafios que exigirão de todos muita criatividade para buscar o mínimo de bem estar social numa equação de equilíbrio entre emprego x diminuição do tamanho do Estado, num mundo sem barreiras, globalizado, onde a educação, somada a treinamento constante definirá os cidadãos que estarão com empregabilidade.
Portanto, algumas alternativas para minimizar tamanho problema apontam para uma maior dedicação à escola, enquanto aluno, e à maior dedicação aos treinamentos enquanto profissional. No que tange à classe já empregada, as alternativas levam em conta a possível redução da carga horária de trabalho e um pequeno aumento no período das férias.
Também urgem ações que promovam a diminuição das taxas de natalidade, mormente nos países mais pobres. O aumento das oportunidades ligadas ao lazer também é promissor. O conjunto de idéias servirá para se encontrar melhor equilíbrio da equação social entre o setor privado e o setor estatal na busca de ocupações em postos de trabalho em qualquer das suas modalidades, pois estas geram o conceito de cidadania.
- ERON MARCHIORI é secretário de Indústria e Comércio em Foz do Iguaçu

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