Os crônicos e os agudos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Aylton Paulus Júnior 
Existem dois tipos de pacientes: os crônicos e os agudos. Os demais não são pacientes. São saudáveis ou não existem, pelo menos neste plano. Os crônicos convivem com a doença, mas podem tornar-se agudos. A categoria de agudos, ao contrário da dos crônicos, não é silenciosa. Esta superlota os hospitais e demanda pronto atendimento médico, com estresse para o paciente e para o sistema de saúde.
Estabilizada a fase aguda da doença, a maior parte das pessoas passa para a categoria dos crônicos, até o próximo evento agudo. O trade-off crônicos-agudos, e seus custos, são geralmente evitáveis por meio do gerenciamento da doença crônica.
Os pacientes agudos são potenciais usuários dos sistemas de urgência e emergência. É urgência quando a situação requer atendimento rápido, no menor tempo possível. É emergência quando há ameaça iminente à vida.
O tratamento de agudos tende a ser mais oneroso e sofrido do que o dos crônicos. O tratamento de agudos envolve os hospitais com estruturas de média e alta complexidades, com maior densidade tecnológica sendo, consequentemente, mais cara do que as estruturas de cuidados de atenção primária. Estas são mais apropriadas ao tratamentos dos crônicos.
A incorporação do conceito de Redes de Atenção à Saúde (RAS) ao vocabulário dos cuidados de saúde, a relevância do conhecimento da população usuária e, em especial, a adscrita a um sistema de Atenção Primária de Saúde (APS), foi percebida pelos gestores como relevante para o atendimento das necessidades de pacientes crônicos. A prevenção evitando a fase aguda mostra-se em geral mais humana, mais eficiente e de tecnologia menos custosa.
A organização do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir da identificação segura dos usuários e suas necessidades, é mais virtuosa do que a simples implantação de serviços médicos de internação ou ambulatoriais fragmentados. Estes não garantem a continuidade da assistência após resolvido o quadro agudo da doença. A descontinuidade do cuidado do paciente crônico mais cedo ou mais tarde devolve o usuário à situação de agudo em contexto que tende a ser pior pela idade e, geralmente, com maiores custos.
O gerenciamento da doença crônica exige recursos de tecnologia da informação (TI). No caso, a síntese é o Cartão SUS que tem a missão da identificação inequívoca do usuário vinculando, inclusive, o histórico de saúde pregressa. Isto evita repetições de exames e procedimentos já realizados e ainda válidos.
A tecnologia disponível é fantástica, pois de qualquer lugar do País o profissional de saúde poderá acessar o histórico do usuário e, provavelmente, abreviar o tempo de diagnóstico, evitando sofrimento e custos desnecessários.
Assim passaram muitos anos e muito dinheiro gasto para a implementação do Cartão SUS. Pensando bem, o cartão SUS na forma atualmente concebida, seja carregando as informações dos usuários ou permitindo acesso remoto ao banco de dados de prontuários e registros de cuidados de saúde, renasce ultrapassado pelo acervo de digitais do sistema eleitoral. Ou seja, a tecnologia do sistema das digitais parece prometer melhores resultados para identificar, proteger e cuidar dos crônicos bem como agilizar o atendimento dos agudos.
AYLTON PAULUS JÚNIOR é economista em Londrina
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