Os conspiradores aquarianos - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 1998
Walmor Maccarini 
Não sejamos tão radicais imaginando que o mundo não tem mais conserto, porque, neste momento, a cada dez pessoas nove estão trabalhando ou criando algo novo em benefício da humanidade; e apenas uma, em dez, caminha pelos desvios e causa seus estragos, alguns de grandes proporções, sim, mas é justamente esta pessoa (ou este grupo de indivíduos) que alimenta o noticiário dos veículos de comunicação. Então, as notícias desagradáveis se transformam em mastodontes pela lupa dos agentes da informação. Mas o mundo não é exatamente aquele que vemos na telinha e nas páginas dos jornais.
A Terra não esperava ter que abrigar cinco bilhões de seres humanos e proporcionar-lhes acomodação e meios de subsistência. Mas no seio desta multidão há uma vigorosa comunidade que, todos os dias, pesquisa, descobre, inventa, cria e recria fórmulas de vida melhor. São os conspiradores (coincidentemente da Era de Aquário), que se negam a compartilhar da corrente dos predadores, dos descrentes e dos negativistas. Estes são tempos propícios a grandes avanços na evolução espiritual da humanidade. Haverá turbulências mas nada se reconstrói sem demolir velhas estruturas.
As imperfeições do mundo não são obras do acaso nem castigos divinos, mas efeitos dos movimentos do próprio homem. O que ele colhe, tem semeado.
Em meio às inquietudes sociais há homens e mulheres que abandonaram velhos sistemas e ensinamentos equivocados, e hoje são pessoas felizes, que vivem em harmonia, que prosperaram e estão levando mais pessoas à prosperidade. Não pertencem a uma igreja específica, nem a igrejas múltiplas, mas abrigaram-se em sua igreja interior e ali encontraram as respostas que buscavam. Conheceram a verdade e tornaram-se livres. São pessoas que mudaram sua atitude mental e viram as coisas boas irem acontecendo; pessoas que apreciam os prazeres da vida - porque os prazeres são de Deus e os sofrimentos são emanações das trevas que muitos insistem em manter encravadas em seu íntimo; pessoas que não enxergam pecados nem pecadores, antes compreendem as imperfeições humanas, e ao compreendê-las não julgam nem condenam. Pessoas que não desejam a riqueza só para si mas para todos, e sentem-se felizes por isto; que se cansaram de criticar, de maldizer e de competir; que abandonaram pesados fardos que teimavam em carregar, um deles o de preocupar-se demasiadamente com os comportamentos alheios, avaliando-os e fazendo juizos; que não aceitaram a idéia de que pobreza é virtude sendo o mundo tão rico, só bastando saber dividir. Porque pobreza é um mal e o mal não pode ser virtude. Riqueza é para todos e alcançá-la ou não é uma questão de crer, porque as pessoas tornam-se aquilo que acreditam ser.
Essas pessoas deixaram de acreditar que só se cresce no sofrimento mas descobriram que na alegria se cresce muito mais; que o sofrimento é originário de umbrais que criamos e que a alegria é da Luz, é emergente dela. Essas pessoas abandonaram fanatismos religiosos, renunciaram a idéias de sofrimento e de permutar o paraíso por boas ações - antes praticam-nas porque lhes apraz e porque simplesmente amam. São pessoas que se libertaram suficientemente dos egos e já não dão ouvidos àqueles que eventualmente as insultem ou difamem, pois aprenderam que, odiando, sofrem mais que as pessoas odiadas. Descobriram que há sabedoria em tudo que existe debaixo do sol e além das estrelas; que saber ceder e retribuir o insulto com um gesto de compreensão é demonstração de autoridade. São pessoas que se estimam muito e como tal passaram a ser estimadas também pelos que convivem com elas. Porque a mente e os sentimentos criam formas. São pessoas que não lamentam pelo dinheiro perdido, mas entregam-no, com serenidade e desprendimento, como tributo pelo milagre da vida e pelo dom de existirem e compartilharem da aventura terrena. Porque essa atitude mental acabará por trazer de volta tudo o que perderam, e muito mais.
Nunca se soube que alguém tenha se prejudicado por situar-se positivamente; por recusar-se à maledicência, à intriga e ao ódio; por perdoar ou ao menos não revidar; por agradecer sempre, a tudo e a todos, dezenas de vezes ao dia e todos os dias; por doar-se e dar sempre, sem busca de recompensa ou reconhecimento. No início é difícil mas logo vira hábito e nos acostumamos, sem nem mais perceber. E então as coisas boas começam a acontecer...
Há muitas pessoas que não se preocupam se o vizinho não está fazendo a parte dele, antes fazem a sua bem feita. Essas pessoas passaram a apreciar suas próprias qualidades individuais, e a tudo que fazem dão o toque da beleza. São pessoas que não enxergam limites em si próprias, porque se sabem feitas à imagem e semelhança do Criador e isto significa compreenderem-se como partículas da Totalidade, onde não existem limitações e onde todas as verdades já são e estão.
As imperfeições são reflexos do que fomos em certo tempo e de onde estivemos, ao longo de nossas vidas, e não do que somos e do que viremos a ser.


